Sem regras e sem hora pra voltar pra casa

Sem regras e sem hora pra voltar pra casa

Embalos de Sábado à noite nos Estados Unidos, Dancin´Days no Brasil, lurex e cabelos rebeldes por tudo e muita discoteca: essa era a onda disco, que chegou com força total. Os homens usavam camisas de poliéster abertas para mostrar o peito cintilante de medalhões de ouro. Terno acetinado branco, com a gola da camisa preta aparecendo, então, era o “auge”, o visual de John Travolta no filme que marcou época. Para as mulheres, vestidos tomara-que-caia com saias rodadas ou vestidos usados com sandálias de tiras bem altas eram considerados looks glamurosos, enquanto tops em forma de tubo com muito brilho ou calças ultra-colantes usados com cintos estilosos e sandálias stiletto (de preferência com meias de lurex) eram para as mais ousadas.

Sem regras e sem hora

A androginia chegou nos anos 70 para ficar

No Brasil, Dancin´Days (que estreou em julho de 1978) é conhecida como a primeira novela a ditar moda. Também, quem não se lembra da cena da inauguração da discoteca Dancin´Days, em que a ex-presidiária Júlia (Sonia Braga) se solta na pista de dança com o look que resume essa tendência? Top, cabelo armado e calça de cintura alta e um show nas pistas. Muita gente se chacoalhou ao som de dance music até altas horas e as músicas daquela época fazem sucesso até hoje.

Na TV passavam As Panteras, A Família Dó-Ré-Mi, O Incrível Hulk, Anos Incríveis e nos cinemas A Fantástica Fábrica de Chocolate, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e nos teatros, o musical Hair.

Usavam-se calças justas acetinadas, vestidos tipo robe transpassado, plataformas estratosféricas tanto para sandálias como para botas, sandálias Anabela, cintos grossos étnicos ou franjados e bolsas de crochê (heranças hippies junto com o patchwork).

Dois estilos que tiveram seu auge nos anos 80 começaram aqui: a androginia começa com o filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e com as mulheres chegando ao mercado de trabalho. Elas pegavam dos namorados blazers, calças baggies, coletes, camisões e até gravatas. O movimento punk vem como oposição ao hippie: muita raiva, protesto e atitude “do mal”. O jeito como eles se vestiam você confere na semana que vem. E também a estilista responsável pelo look punk ir para as passarelas.

Enquanto isso no Brasil…
Por aqui, os anos 70 marcaram a expansão e a profissionalização de dois fenômenos importantes: a teledramaturgia e a moda. A Rede Globo passa a sustentar quatro telenovelas diárias e passa a ser soberana da ficção brazuca. Beto Rockefeller é o primeiro anti-herói a conquistar o público, mas os Irmãos Coragem, O Bem Amado, também fazem o telespectador sorrir e se apaixonar.

Na música, o rock brasileiro tem seus primórdios, com o Tropicalismo. Fazem sucesso os festivais, Chico Buarque de Hollanda, Raul Seixas, Paulinho da Viola, Jards Macalé, Gonzaguinha e Milton Nascimento.

A diversidade de estilos e propostas também marcou a cinematografia brasileira, sem movimentos ideológicos e com o governo como responsável pela distribuição e exibição dos filmes.

Com tanto movimento cultural, o Brasil tricampeão da Copa do Mundo e o desenvolvimento da indústria do entretenimento, só poderia ter dado nisso: uma moda mais informal, com menos normas e inspirada no tempo livre.