Informações sobre Hepatite C

Informações sobre Hepatite C

Eu trabalho como única clínica geral na UBS de minha cidade fazendo ambulatório diário. A cidade tem por volta de 6 mil habitantes e praticamente todos são meus pacientes.

Meu dia a dia é tratar doenças ocasionais e principalmente fazer pesquisas e diagnósticos periódicos dessa população.

Dependendo da idade do paciente, esses check ups podem ser anuais, semestrais ou bienais.

As pessoas me procuram para “dar uma geral” e podem ou não ter sintomas. A maioria não se queixa de nada mas quer “fazer os exames”.

Também dependendo da idade, eu peço uma bateria de exames que vai aumentando conforme o paciente vai envelhecendo.

Meus pacientes têm de 14 a 93 anos e todos eles se submetem à uma dosagem de transaminases do fígado além de outros exames.

De acordo com recomendações de Junho de 2010, a pesquisa de sorologia para o vírus da Hepatite C deve ser feita primariamente em pacientes de risco, ou seja, alcóolatras, usuários de drogas, pacientes transfundidos e pessoas com comportamento de risco inclusive sexual.

As transaminases hepáticas – TGO e TGP – mostram se o fígado está sofrendo algum processo inflamatório, agudo ou crônico. E é através delas que eu descubro, em pacientes assintomáticos, se há algum problema hepático que necessita avaliação mais profunda.

Transaminases alteradas, mesmo que por pouco, levam à pesquisa da causa de tal elevação.

Sorologia para Hepatite A, B e C, ultrassom de abdome, bilirrubinas totais e frações, atividade e tempo de protrombina são os exames obrigatórios nesses pacientes.

Com os resultados em mãos, minha prática diária encontra uma parcela desses pacientes positivos para hepatites virais.

Os pacientes positivos para Hepatite C são encaminhados ao especialista onde se discutirá o tratamento com Interferon ou Ribavirin.

Não é todo mundo que pode ser tratado. Algumas condições de saúde contra-indicam o uso desses medicamentos.

O tratamento de Hepatite C é lento, demorado e requer dedicação do paciente. Além de controles da situação para o resto da vida, sendo então, uma doença crônica.

Mas o que podemos fazer contra a Hepatite C?

Em primeiro lugar cuidar de não ter comportamentos de risco tais como alcoolismo, uso de drogas ilegais e sexo sem proteção. Pessoas que participam desses grupos de risco devem procurar o médico e informá-lo para que se faça a pesquisa sorológica para Hepatite C independente de alteração de transaminases.

Pessoas que não se encaixam no grupo de risco devem fazer seus exames periódicos anuais, ou conforme orientação médica.

Quanto mais cedo se detecta a Hepatite C, mais chances de retardar seus danos ao fígado.

Estima-se que 3 por cento da população mundial tem Hepatite C e a maioria não sabe disso.

Faça sua parte se cuidando, se protegendo e tendo um diagnóstico precoce.