Empreender – O que te motiva?

Empreender – O que te motiva?

Este post de hoje será provocador.

Na verdade cheguei domingo, na véspera de escrever este texto (e outros para iniciativas bacanas que saberão ainda esta semana) e me deparei com a seguinte pergunta – além de não saber exatamente o que escrever aqui (rs):

Empreender

– O que me motiva a escrever?

Hoje, para mim e todos os baristas deste all star team que é o Café com Blogueiros escrever é uma forma de empreender. Para mim escrever aqui é uma forma de ter minha voz ecoada além dos meus seguidores do Facebook e Twitter, levando a mensagem que empreender é uma, senão a principal, forma à qual chegaremos na plenitude do potencial transformador de um indivíduo, um grupo e/ou uma sociedade.

Ponto interessante: as pessoas possuem como empreender o rótulo de modelar e iniciar um negócio. Ok, é a forma mais tradicional e convencional. Mas não é só isso.

Empreender é um modo de vida. É ir além do trivial, do que o “sistema” quer que você faça. É tomar o rumo da sua vida de fato, e não ficar naquele discurso “ah, no meus sonhos eu teria tal emprego, construiria tal casa, namoraria uma pessoa dessa maneira e todo final de ano iria para Floripa.”

Um cara que lidera o movimento de independência sem derramar sangue no país. E vai dizer que o Gandhi não é o grande case empreendedor do século XX…

Ontem conversando com uma amiga destes novos tempos de empreendedor serial em fase embrionária (rs), ela revisitou uma frase que o coordenador Garcia, na ESPM, disse numa das fases mais complicadas da minha vida pessoal:

“Aprendi em workshops de negociação que o não você já tem. Este é garantido desde o início de qualquer conversa. Você precisa apenas correr atrás do sim.”

Ser empreendedor é acreditar piamente nesta frase. E ver o que acontece até o sim acontecer.

Bom, contextualização feita, vamos ao tema do post – o que leva as pessoas a empreenderem.

Em todos os casos encontraremos o “fazer acontecer”, o que significa que ele não é um motivo e sim a prática em si. Então quando a lâmpada acende? E o principal: como fazer a lâmpada acender para mim?

Bom, se você leu o texto até este ponto e está ansioso para ler o resto, uma boa notícia: você realmente quer empreender. Isso é bacana demais!

A idéia pode vir de diversos caminhos, mas existem alguns caminhos que sempre se repetem:

– A paixão: Você curte alguma coisa. Vamos supor, automobilismo – que é o meu caso. Você quer que aquilo seja muito mais que achar o máximo acordar cedo de domingo para ouvir o Galvão Bueno narrar uma corrida de F1. Você começa a ler tudo que existe sobre o assunto, visita alguns eventos, faz alguns contatos e “entra no jogo”. As vezes cumpre uma etapa de estágio em outra organização e resolve montar a própria com vista em alguma lacuna de mercado não atendida. Ou faz melhor algo que já existe.

Pausa. Aqui já existem os 3 pontos cruciais do modus operandi do empreendedor, independente se ele vai trabalhar com balada, corrida de carros ou numa startup:

a) A mudança de rota – Você era um cara 9-18h ou tinha um estilo e trajetória de vida provável até decidir mudar o rumo e ir atrás do sonho. Isso é completamente empreendedor. Mesmo depois você migrando para uma empresa onde terá salário, chefe, obrigações, etc. Mudanças de rumo significam empreender na própria vida, e isso é mandatório para quem quer evoluir e deixar sua marca no mundo.

b) Repertório e escolhas – Repertório é tudo nesta vida. Empreender requer demais conteúdo por parte das pessoas porque muitas vezes (quando não sempre) a tomada de decisão será solitária. Ao constituir conteúdo e tomar alguma decisão você já está empreendendo dentro do que acredita.

c) Constituição do negócio – Para quem tomar as rédeas da vida não é suficiente há algo ainda mais radical: começar um novo negócio, com base (ou não) no que já existe. Ou fazer algo totalmente novo e ir para o que o mercado chama de “Oceano Azul”. Nem precisa dizer o quão é empreendedor modelar e executar o projeto de uma empresa né?

Navegar pelo Oceano Azul não quer dizer que esteja num escritório no Havaí, e sim que um novo mercado foi descoberto. O termo foi criado com base neste livro excelente.

Paixão acredito que seja o atributo mais importante para quem quer empreender. Já pensou trabalhar em algo que não há identificação nenhuma, começando do zero e com carga suficiente para perder horas de sono ou de convívio social? Nem pensa porque você NÃO fará isso ok? 😀 Mas não é o único conceito que vem à tona na hora de empreender.

– Nada funciona, quero o meu – Aqui temos um exemplo histórico de uma empresa que pensa assim, desde o nascimento até hoje. Empresa que falamos sempre e deveria me patrocinar, porque o que falamos da Apple por aqui não está (ou melhor, está sim, tenho provas! hahaha) escrito.

Quem leu a espetacular biografia do Jobs, sabe que os insights aos quais surgiram dois de seus hits vieram da demanda do pessoal interno por aparelhos “que conseguissem operar e entender”: iPod  e iPhone. Tanto é que eles não são os primeiros MP3 Player e Smartphone, respectivamente. Mas a vontade de construir o aparelhos dos sonhos da equipe de design, de suprimentos, de marketing e principalmente do fundador da empresa foi a mola propulsora para o desenvolvimentos dos iGadgets. Com uma pitada de paixão pelo que faz e visão de mercado sim, mas baseados nas demandas internas.

– Pessoal se %$#@ com isso, vou fazer diferente e/ou melhor – Este é um clássico. Vou pegar o caso do You Tube, este site onde perdemos boa parte do nosso tempo (e se deixar, da produtividade) para buscar os vídeos mais interessantes do planeta.

Se você tiver memória, ou já entrava na net há 15 anos atrás, haviam poucos sites de streaming de vídeo. O negócio era subí-los integralmente para quem quiser baixa-los da mesma forma. Para tempos onde banda larga não existia nem no Vale do Silício direito, imagina como era a experiência para o usuário…

Foi quando os fundadores Chad Hurley e Steve Chen, de posse dos vídeos de uma noite de cervejas e besteiras com o pessoal da empresa (PayPal – outro caso semelhante de insatisfação com a experiência anterior) usou um servidor antigo, um aplicativo da Adobe e criou um domínio para compartilhar os vídeos da sua galera sem precisar do download. O resto é história, 18 meses e US$ 2 bilhões pagos pelo Google depois.

– 1 + 1 = 3 ou mais – talvez um dos modos mais criativos e ousados de empreender está na junção de dois conceitos aparentemente antagônicos para construir uma proposta de valor superior. Pode dar muito errado, mas quando acerta a forma é blockbuster.

Peguem o Porsche Cayenne. É necessária muita ousadia ao empreender um projeto de carro superesportivo off road numa tradicional empresa alemã. Mas o que parecia o encontro de dois conceitos completamente opostos tornou-se o produto mais vendido da montadora, ao ponto de fazer concorrentes como Land Rover, Nissan (Infiniti) e, pasmen, a Ferrari irem atrás de produtos semelhantes.

Quem diria que até a Ferrari se rendeu aos superesportivos de 4×4 e teria o seu. No caso o FF

Apresentando estes conceitos, desafio a você a pensar as seguintes questões:

– O que você realmente gosta, ao ponto de passar anos sem ganhar dinheiro algum apenas pelo prazer de fazer acontecer?

– Você consegue visualizar alguma coisa errada neste setor? Alguma empresa que está fazendo alguma coisa que não achas que é o mais adequado?

– Há algum setor da economia com problemas crônicos os quais você possui alguma habilidade ou plano de salvá-lo?

Mas antes de qualquer coisa, pergunte-se a si mesmo:

– Qual meu propósito de vida? Será que empreender é algo que vai agregar a mim, aos próximos e à sociedade?

– Qual o meu “tesão” por empreender? Por alguma paixão ou por mera oportunidade de mercado e/ou obtenção de capital?

– Estou disposto a passar por apertos financeiros e privações pessoais para correr atrás de criar um modelo de negócio ativo e com potencial de crescimento?

– Construir um legado é algo que realmente me interessa?

Se há respostas certas para estas perguntas? Não. Mas são elas que irão guiá-lo nesta primeira etapa do desafio de empreender.

E não fique constrangido de não saber responder no ato; sinal que estás evoluindo. Afinal o mundo não é feito de respostas – são as perguntas (e suas inquietações) que moldam a evolução e dão o lastro para o sucesso de cada um de nós.