Mês: julho 2019

Fotografia e Skate

Quando tinha 13 aninhos, comprei meu primeiro e único skate. Gastei uma fortuna! Comprei mochila pra ele, equipamentos de segurança, tudo de mais incrível pra saciar meu amor por aquele bicho. Depois de cair a primeira vez, desisti, deixei de lado, e minha mãe nunca me permitiu esquecer: “gastei uma grana e você só andou uma vez!” A paixão adormecida acordou de novo.
Vou comprar um skate. Sempre tive vontade de tentar de novo, mas como essa ladainha de depender do dinheiro da mãe é foda, fiquei sem coragem de pedir. Mas juntei um money e desse mês não passa. Porque agora não tenho medo de cair, de arriscar uma manobra! E moro cercado por praias, poxa! Mesmo que eu não queira radicalizar, final da tarde em um domingo deslizando pelo asfalto só vai fazer bem!

Foi depois de assistir ao filme Chasing Mavericks (vou falar dele nessa sexta) e ler o post da Ana Farias sobre crise de meia-idade aos 21 que percebi: tô perdendo tempo! Não estou velho pra aprender a andar de skate! Não tô velho pra me limitar e deixar de fazer as coisas que gosto, que quero, que preciso. No momento, preciso de uma bicicleta, um skate, vento na cara e minhas praias!

Preciso aproveitar o que tenho, aproveitar um esporte saudável, conhecer gente nova. Tirar mais fotos! Quero arrastar meus amigos comigo, perder a vergonha de parecer noob na frente dos outros, a vergonha de tombar, rir e usar capacete!

Li em algum lugar que pra andar de skate tem que ser moleque (ou moleca), independente da idade. Concordo. E também concordo que independente da “modinha” estar voltando, preciso fazer o que eu quero fazer. Não tô matando ninguém mesmo…
Só minha mãe. Do coração.

E o vídeo dessa semana, que eu deveria ter feito um post ontem, fala sobre a mania que a gente tem de dizer que vai dormir, mas que não consegue largar do Facebook ou computador. A gente prefere cair de cara no teclado do que deitar na cama. Coisa de doente, né? Assiste aí!

Andar de skate depois dos 20, 2: Como andar de skate?

Você aprendeu a comprar o skate certo no outro post. Com ele em mãos, é hora de coloca-lo nos pés. Vou explicar nessa parte do guia o que é base, a forma correta de ficar em cima do shape e quais os melhores tipos de asfalto pra treinar seu equilíbrio, sua remada (impulso) e suas curvas. Cair faz parte, então sem medo! Vem!

QUAL É SUA BASE SOBRE O SKATE?
Base é a forma com que você pisa sobre o skate, que vai definir qual pé vai ficar na parte da frente do shape, na altura do par de parafusos mais perto de você e qual vai ficar atrás, na curvinha da ponta traseira (a tail) pegando impulso, manobrando curvas e freadas mais bruscas. Por isso, suba no skate (não faça dentro de casa), coloque seu pé direito na frente e pegue impulso com o esquerdo. Depois troque de pés e faça a mesma coisa. Com qual posição você se sentiu mais confortável?

Se foi com o pé direito na frente e o esquerdo atrás, você é goofy, como mostra a imagem aí em cima (sou goofy também). Se foi com a esquerda na frente e direta atrás, você é regular. Se ficou confortável das duas maneiras, meus parabéns, você é switch. Qual o certo? Aquela posição em que se sentir mais confortável. Não tem regra.
Vale ressaltar que no começo não será muito importante, mas se você pretende manobrar depois, todo mundo recomenda que você treine com as duas posições até se acostumar, já que algumas manobras pedem a inversão dos pés. E convenhamos que é muito mais divertido ser switch do que um ou outro.

COMO FAZER CURVAS COM SKATE?
Sabendo sua base e dando os primeiros impulsos, você tá mantendo o equilíbrio. No começo eu só conseguia fazer linhas tortas, nunca conseguia andar em linha reta. Fiquei a noite toda tentando, mas não saía de jeito nenhum. Voltei pra casa cansado e, na semana seguinte, consegui fazer uma linha reta inteirinha no asfalto da orla de primeira. Depois de dominar minha linha reta, fui aprender as curvas. Tenha paciência, seja insistente, mas saiba quando descansar. 
A curva simples, pra desviar de um objeto distante ou para mudar de uma mão para outra na pista, é questão de apoio da ponta dos pés e calcanhares nas extremidades laterais do skate, flexionando os joelhos. Se quer virar para a direita, deposite um pouco do seu peso nos pés para a direita. Se para a esquerda, faça o movimento para a esquerda. Se o truck estiver bem colocado, vai sentir que o skate “afundou” para o lado que você quis e as rodinhas do lado que recebeu a força dobram pra dentro um bocado. 

Para curvas mais bruscas e freadas, a força é jogada para o pé de trás, sobre a tail, relaxando o pé da frente (sem tira-lo da lixa) para levantar as rodas frontais e direcionar as traseiras para o outro lado com um movimento de impulso do quadril, colocando as rodas frontais no chão rapidamente com o pé da frente de novo. É um pouco mais complicado, prometo aprofundar o assunto no futuro. O Youtube tem um monte de exemplos:

POSTURA SOBRE O SKATE
Tente se manter ereto com os cotovelos flexionados e, quando necessário dar impulso, dobre os joelhos um pouquinho. Seu pé precisa ficar com a ponta e os calcanhares sobre as extremidades laterais do shape para que você consiga fazer a curva da maneira correta (olhe a imagem sobre bases). 
Quando remar, não afaste demais a perna que dá impulso, isso pode desequilibrar. De começo, não tente correr muito também. Se sentir que vai cair, projeta seu rosto e cabeça. Em vários sites os caras recomendam equipamentos de proteção e segurança, mas acho feio e não comprei os meus. Até hoje, já rodando bem, tentando dar meu primeiro ollie (manobra de pular com o skate) e fazendo curvas bonitonas, não caí. 

Não quer dizer que o material de segurança é dispensável, só quer dizer que sou a porra de um maluco que vai acabar mais ralado que queijo ou em coma hora ou outra. Mas heim, agora que o básico está aqui, vou falar um pouco da minha experiência andando de skate depois dos 20 anos e sobre o asfalto perfeito pra iniciantes.

DIÁRIO DE SKATE DO GAROTO COM MAIS DE 20 — PARTE 1
Comecei a andar sozinho. Na segunda semana chamei amigas, sendo que apenas uma tinha skate e por ter comprado em uma loja não especializada, ficou com um skate ruim, o que é o mesmo que não ter. Só que na quarta semana fui com meu melhor amigo e eterno jovem que já escreveu aqui no DDPP, o Begus Bezerra, comprar o longboard dele, aquele skate mais largo e comprido.
O longboard, além de muito mais estável, foi montado com maestria pelos caras da loja, por isso reforço a importância de comprar em locais especializados! Sai mais caro (custou R$ 500), só que dura muito mais e fica muito mais confortável no pé. Se possível, recomendo que mostre para seus amigos como andar num skate pode ser delicioso. A experiência de ter alguém com a mesma vontade de andar é positivamente diferente. Por quê?

Porque é legal ter com quem comentar cada segundo que conseguiu descer a ladeira perto de casa sem cair ou a primeira curva de 360º. É legal trocar de skate e apostar corridas. É legal dar as mãos e ficar inventando manobras de impulso, um puxando o outro. É legal descobrir que a quadra recém-construída do bairro pode ser o novo point de vocês toda sexta à noite.
Além de comprar no lugar certo e levar um melhor amigo, a escolha do asfalto foi importantíssima pro meu aprendizado. Sei que quando a gente pega um skate, achamos que o ideal é atravessar o bairro inteiro pela estrada como se andássemos por milênios. Calma! Recomendo definir duas coisas: o tipo de asfalto e o tamanho da pista no qual você vai percorrer para aprender, acostumar com teu bebê nos pés, aprender a fazer curvas etc.

Descobrimos, eu e o Begus, que a quadra e a calçada ao redor da praça gigante são perfeitas pra isso. Principalmente de madrugada, nosso horário lindo. Além de não ter carros nas ruas ou pessoas que possam “travar” nossa inibição, ninguém quer jogar futebol, deixando o espaço livre para até quatro skatistas aprenderem, zoarem, gravarem vídeos e tirarem fotos.
Com The Drums nos ouvidos, celular na mão, McWrap na bolsa e suor na testa, aprendi nesse dia (04/05/13) que andar de skate pode ser ainda mais divertido do que já achava enquanto sozinho. Essa coisa de vento no rosto, praia, música alternativa, fotografia analógica e vídeos despojados podem ter um sabor muito mais apurado se o melhor amigo estiver do lado.

Gravamos um videozinho, assista aí:

Para o 1º Emprego, Parte 3 – Dicas Reais Para a 1ª Entrevista

Antes de fazer minha primeira entrevista de emprego, achei que me daria muito bem. Antes de deixar minha personalidade excessivamente confiante e metida de lado, era muito dono de mim, muito nariz em pé, o que me daria toda estrutura pra encarar os entrevistadores. Quando assumi minha natureza desastrada, assumi também que minha entrevista quase foi um fiasco total. Por que não foi?

Porque fui sincero. Sei que todos os guias da internet te dizem pra manter postura, ser você mesmo, centrado, focado, mas a realidade é que o nervosismo te quebra. Pelo menos na primeira entrevista. Mesmo um cara confiante vai sentir a tensão, não por ter seu currículo posto à prova, mas pela seriedade e pressão que uma entrevista exerce. Aí você treme na base.

Se tiver de fazer uma prova ou teste na hora pra mostrar pros entrevistadores (no plural, pois assim foi comigo) o que você sabe, se você tem agilidade e tal, a pulga coça até no olho. Se você tem problemas em fazer as coisas com pessoas observando, vira o apocalipse na Terra.
Se tiver a mesma sorte que eu, conseguirá avaliadores que enxergam através do nervosismo (mesmo que pouco aparente), que te enxerguem como o aprendiz que é, correndo atrás da primeira chance pra lidar com a rotina do mercado de trabalho, pessoas que se colocam no seu lugar, que te julgam além de um profissional, mas como humano.

O que não significa que você deve relaxar e esquecer aqueeeelas outras dicas de foco, concentração e blá, blá, blá. Ter consciência de que você precisa passar uma imagem responsável e empenhada, com fome de aprender e melhorar, te direciona, cria uma seta mental e invisível que todos os presentes na sala podem sentir. E use roupas confortáveis, ok?
Essa imagem não precisa nem deve ser falsa. Fale sobre suas limitações, converse sobre o que você sabe. Não atire no escuro, não minta, não suponha ou deixe que sua confiança (ou tentativa de ter uma) se transforme em soberba. Lembre-se que além de suas habilidades, te avaliam como órgão de um corpo que não funciona sem todos os outros pedaços — funcionários — e mostrar que você é tranquilo de lidar (ou tenta ser) é ganhar pontos.

Por isso, respire, inspire e não pire! Ao invés de olhar essa entrevista como ida ao carrasco, veja como uma das milhares de oportunidades que você terá para chegar onde quiser, não desmerecendo essa vaga, mas tendo consciência de que errar é humano e que se você não for escolhido, bem, não foi
Existirão outras chances. Poucas cairão do céu, muitas serão resultado de suas buscas incessantes e cansativas, mesmo quando tudo parecer não funcionar. Até que um dia você terá um contrato assinado, o primeiro salário, novos amigos — talvez alguns inimigos — e um monte de novas esperanças, encarando desafios cada vez mais difíceis e, espero, prazerosos.

Como fazer camisa Batman

Tava na hora de dar continuidade aos “faça você mesmo” do DDPP! Depois de um de meus personagens favoritos dos videogames, vem o super-herói que me ensinou a ler, meu querido, amado, idolatrado morcego: Batman! Em seis passos, você pode ter uma camisa igual a essa gastando bem pouquinho! Coloque roupa velha (caso respingue tinta de tecido em você), separe materiais e vam’bora!



MATERIAIS

1. Camisa 100% algodão 2. Tintas para tecido preta e amarela 3. Moldes cortados (vou explicar já) 4. Papelão 5. Pincéis e batedor ou rolinho 6. Estilete 7. Cartolina ou chapa usada de raio-x (pro molde) 8. Fita adesiva
COMO FAZER O MOLDE
Essa técnica é chamada de stencil, onde você imprime esses dois desenhos e recorta na cartolina ou chapa de raio-x, que servirá como molde vazado por onde a tinta passará. Na elipse amarela do símbolo do Batman, é só recortar na linha pontilhada, bem fácil. Na vez do morcego em si, preciso explicar uma coisa.
O MOLDE 2 tem dois elementos: o morcego e a linha que acompanha a borda da elipse. Se você cortar essa linha da borda direto, a parte interna que tem o morcego não vai ficar presa ao molde. Para que isso não aconteça, é necessário criar essas pontes brancas que parecem falhas na linha. Dessa forma, NÃO CORTANDO SOBRE AS PONTES, o desenho do morcego continua no molde.

Corte com estilete apenas sobre as linhas pretas, chamadas de “linhas de corte”. Qualquer coisa é só olhar o passo-a-passo ou como fiz a camisa do Sonic. Baixe o MOLDE 1 e o MOLDE 2 e acerte o tamanho que você quiser na hora da impressão.
FAÇA VOCÊ MESMO

1. Coloque o pedaço de papelão por dentro da camisa, na altura da parte que receberá o desenho. O papelão impede que a tinta manche a parte de tráse dá maior estabilidade para pintar.
2. Prenda o MOLDE 1 com o auxílio da fita adesiva. 
3. Com o MOLDE 1 bem preso, pinte de amarelo com cuidado para não sujar a camisa. Espere secar um pouco e retire o molde sem pressa.
4. Posicione o MOLDE 2 se baseando na linha da borda. Prenda com fita adesiva.
5. Pinte de preto, espere secar e retire o molde.
6. Percebeu que as pontes deixaram falhas na linha preta da borda do símbolo? É só corrigir com um pincel fininho ou caneta pra tecido e pronto, tá pronta! 

Espere 3 dias para lavar, ok? Deixe-a secar longe do Sol, mas em local arejado. 
Agora vá salvar o mundo, por favor!