Mês: junho 2019

Como pintar skate de preto

Sábado vou postar parte do meu diário de quem começou a andar de skate depois dos 20 anos. Gastei R$ 294,00 comprando ótimas peças (sinto no pé quando comparo com amigos que compraram de outras marcas) mas não tinha na cor que eu queria. O que fiz? Já que o skate ia arranhar mesmo, por que não pintá-lo de preto, deixando como sonhava?

Pintar um skate tem menos mistério do que parece, ainda mais pro cara que pintou quase todos os móveis do próprio quarto, tendo de lixar cada um na mão. Falando nisso, vamos aprender sobre lixas? Lixar e pintar é o que você precisa saber pra deixar teu shape (a parte do skate onde você pisa) bonitinho. Olha como era:

Cada lixa é definida pelo número de granulometria, ou seja, o tamanho dos grãos que a compõem para remover camadas de uma superfície. Quanto menor o número da lixa, maior serão os grãos. Por isso é comum usar dois tipos de lixa para dar acabamento perfeito antes da tinta, usando uma de número baixo, para remover a parte grossa de verniz, por exemplo. Depois usa-se um número mais alto para uniformizar os cortes e desníveis causados pela lixa anterior. Simples.
MATERIAIS

1. Compre tinta esmalte sintética, pode ser de latinha ou spray, mas na hora de aplicar as coisas mudam. Se optar pela latinha (que vem mais tinta por quase o mesmo preço), vai precisar de um rolinho e um prato de tinta. Se quiser o spray, só vai precisar da lata e a uniformidade da aplicação é muito melhor, assim como o tempo de secagem fica mais rápido. Vai do gosto de cada um. 
2. Duas ou três lixas de 120
3. Duas ou três lixas de 100

FAÇA VOCÊ MESMO
1. Sem segredos, desmonte o skate (aprenda nesse vídeo como fazer) e posicione a parte a ser pintada do shape pra cima. Comece com a lixa de 100, a grossa, para remover a resina super chata que vem nele. Você vai suar um pouquinho pois essa resina é pra diminuir o número de arranhões no seu shape enquanto anda, é bem resistente. Sempre lixe de uma ponta a outra, jamais de cima pra baixo. Por quê? Pra ficar uniforme. Não lixe em várias direções. Siga o exemplo abaixo:

2. Reparou que a lixa grossa (de 100) marcou bastante o shape? Agora é só acertar isso com a lixa de 120. Se quiser ainda mais uniformidade, pode usar um número mais alto depois. 
3. Se for usar o rolinho, dê a primeira demão e espere entre 15 e 30 minutos até dar a segunda. Dê quantas demãos forem necessárias. No spray, entre 3, 5 ou 8 minutos você pode aplicar uma demão, sendo que a primeira precisa ser beeeem de leve, quase que invisível, para criar uma superfície em que a tinta cole tranquilamente. 
4. Espere secar entre 12 e 24 horas (se pintou de spray) ou entre 24 e 48 horas (se pintou de rolinho), monte tudo de novo (só rever aquele vídeo de cima) e, BANG, tá pronto!
E fica foda demais!

Amo a cor preta e minha vontade maior, apesar de meu shape ser bonitinho e colorido, era ter um skate todo dessa cor. Tive de pintar o truck também, aquele suporte de ferro que segura as rodinhas, sabe? O processo de lixamento é o mesmo, só que pelo formato é bem chato fazer um trabalho bem feito. Dá pra pintar com rolinho? Dá. Mas com spray é o dobro de facilidade.

Estilo Xamânico ou Native

O estilo “native” (expressão vinda de como os gringos chamavam os índios nativos dos Estados Unidos) ou xamânico é caracterizado pelo uso de formas geométricas, representações de animais e símbolos que representam forças da natureza e todos os seus ciclos. Nesse post falarei de como isso se aplica na moda, na decoração e no estilo de viver. Vem que a viagem é psicodélica.
Antes de mais nada, não adianta se encher do grafismo desse estilo se em sua vida você não tem o menor respeito pela natureza. Entender que as forças dela são maiores que as dos homens e que todos os seres vivos que compartilham a Terra se unem por teias invisíveis, é personificar nesse estilo uma verdade.
Não precisa se tornar xamã, mas acredito que se você se encher de coisas do tipo e jogar latinha de refrigerante pela janela do carro ou chutar seu cachorrinho só vai te transformar num poser. E não tem nada pior do que um poser, que é uma pessoa que diz ser algo pra impressionar as pessoas quando, na verdade, é outra, muito mais patética. 
O ESTILO DE VIDA
Xamãs são identificados por seus conhecimentos de cura, dos processos naturais e, principalmente, por seus poderes de pegar “emprestado” as capacidades dos filhos da natureza, entre eles animais e eventos climáticos. Muitas vertentes de “bruxaria moderna” se aproveitam da veia xamânica pra acessar energias selvagens das quais nós, habitantes de cidades, perdemos com o passar dos séculos.

Independente do lado místico acerca dessa figura, o xamã é um grande sábio, um índio que por tradução literal “enxerga no escuro”. É uma pessoa que se enxerga como parte de um ciclo gigantesco onde toda ação gera reação. Sendo assim, é muito cuidadoso e reflexivo antes de tomar qualquer atitude. 
NA MODA
O estilo native american se assemelha muito com o estilo hippie, com peças leves e com cara de “gente que ama a paz”, diferenciado por estampas geométricas e tribais em tons de coloridos sóbrios ou de diferentes tons de marrom. Bolsas de couro (sintético, por favor) com babadinhos sobrepostos, sandálias, headbands de palha e muitas, muitas penas! Isso sem falar nas estampas de corujas, lobos, veados, búfalos, águias, ursos e blá, blá, blá! Casa bem pra quem curte uma pegada mais rocker também.

Outro acessório que não chega a montar um look pra andar na rua, mas que fica muito legal numa social com essa temática (vou dar dicas pra uma festa desse tipo depois que ensinar como fazer uma tenda) é o cocar, ou o indian headdress. É difícil de achar pronto, sai caro e geralmente colocam na parede pra decorar. Existem variações de cocares pra cada região, mas a dita nesse post segue o estilo “clássico” mostrado abaixo:

NA DECORAÇÃO
Apanhadores de sonhos, imagens de lobos, crânios de animais que morreram de forma natural, cangas penduradas no teto, móveis em madeira rústica, totens com a mesma proposta de uma carranca brasileira (pra afastar maus espíritos) e, meu objeto favorito e sonho de consumo, uma tee pee, a famosa tenda indígena afunilada pra cima.

TATUAGENS
Uma observação importante é que o estilo gráfico asteca se confunde bastante com as geometrias xamânicas. Por isso, garimpe lojas de vendedores chilenos, sempre tem coisa legal pra decorar ou vestir, incluindo bolsas geralmente num bom preço, pois são produtos artesanais (até baratos, se quer saber).
Aqui deixo tatuagens pra apresentar esses estilos gráficos muito semelhantes, que casam muito bem.

Domingo vou postar uma trilha sonora inspiradora, pra que você entre nesse universo de cabeça. Independente de gostar ou não do estilo, seria legal praticar a filosofia do respeito, então comece respeitando o espaço em que você vive: nada de lixo na rua, nada de crueldade com os outros! 
Toda ação gera reação. Tudo que você faz, volta pra você.

Somos viciados em dramas?

Quando as coisas estão difíceis, a gente reza para que tenha alguém acima das nuvens pra livrar nossos caminhos de pedras, pedimos milagres e simplificações pra facilitar a vida. Só que quando temos tudo na mão, sem um problema sequer, reclamamos da falta de adrenalina, do tédio. Por que não podemos aceitar o que vier como desafios e menos como roteiros de filmes?

Suspeitamos do que vem fácil porque o ditado sempre disse que quando vêm desse jeito, costumam ir embora facilmente também. Será que é daí que vem o costume de querer complicar tudo pra termos a sensação de que valeu a pena o sacrifício, alguns litros de lágrimas e a quase destruição de nosso emocional — e paciência de quem nos cerca?

Sempre fui a drama queen dos amigos. Se chamavam pra balada, reclamava do porquê de não quererem passar a noite de sábado comigo sabendo que eu não aceitaria sair. Se não chamavam, ficava puto internamente por não terem cogitado minha participação na noite de sodomia. “Você não ia querer”, respondiam eles. Verdade. Provavelmente ficaria em casa. Mas não é educado apenas perguntar?
Motivos para gerar dramas variam de não deixarem a última bala do pacote ou o relacionamento onde tudo acontece sem complicações. Em casa a gente vê isso: quando os pais são liberais, reclamamos de não se importarem conosco, filhos. Quando são protetores, reclamamos da falta de liberdade, batemos o pé, fazemos bico e achamos que ouvir System of a Down vai resolver alguma coisa.
Ou simplesmente irritar a vizinhança inteira.

Aí entra a parte do vício e/ou costume de querer o mundo mais difícil, talvez pra buscar a boa sensação de um suspiro de alívio depois de um monte de tormento. Uma desculpa para nos fazermos achar que merecemos o sorriso, já que sofremos tanto. É nosso complexo de novela mexicana, de que depois de tanto sofrer — mesmo que produzido por nós mesmos — merecemos recompensas.
Quando encontramos alguém que diz que ama, que liga perguntando como estamos e que adora e é adorado pelos amigos, procuramos alguma coisa pra reclamar: quilinhos a mais ou, a menos, academia demais, pouca inteligência ou muito mais esperteza, por pagar toda a conta da lanchonete ou por levar pra faculdade de carro todos os dias. Aí caímos fora por medo do tédio.

Quando é alguém que não fala que ama ou prefere sair com várias pessoas ao mesmo tempo, reclamamos da falta de carinho, por não abraçar o suficiente, por não ligar tantas vezes quanto deveria e blá, blá, blá, blá, blá. E ficamos presos nesse relacionamento até arrancar pedaço, até quase morrermos de hemorragia de autorrespeito. Só então prometemos: “vou arranjar quem me ame de verdade”
E fazemos tudo de novo.

Dramas podem ser saudáveis numa briguinha aqui e ali pra nos darmos conta do valor da paz, assim como a tristeza nos mostra como é muito melhor sermos felizes. A mistura ruim fica por conta do drama + autossabotagem, quando a gente tem problema com nós mesmos e construímos desculpas para deitar na cama e esperar um messias.
Vai, pode admitir: sem drama, a vida não fica com cara de série de TV. E se não parece com série de TV, achamos que a vida está errada, que não é real. É aí que podemos morrer esperando o roteiro que nunca vai chegar na caixinha do correio.

1º de abril: dia da mentira ou verdades?

Não que seja ranzinza ou mal-humorado (apesar de ser os dois de forma crônica), mas aguentar mentirinhas de 1º de abril é pra quem tem sangue forte. O que gosto nessa data sem motivo de existir além das baboseiras culturais que tentam explicá-la, é como usam mentiras pra falar verdades e, quando o resultado não é esperado, tornam as verdades puras mentiras. Confundiu?

Ano passado, um “amigo” veio se declarar pra mim via Facebook. Amigo hétero, diga-se de passagem. Falou que não conseguia viver sem minha amizade, que era muito importante e que tinha muita curiosidade de me beijar, que se fosse fazer isso com um cara, gostaria que eu fosse o primeiro. Quando terminou, perguntou o que eu achava daquilo, se ele tinha chance.

Por que eu diria “não” pra um cara lindo e que se declarou numa bíblia quase escorrendo caracteres por falta de espaço da tela da inbox? Disse que sim, que tinha chances, que sempre o achei atraente, mas que entendia sua orientação sexual e que respeitaria nossa amizade acima de qualquer coisa. E, claro, disse que me sentiria muito honrado em tirar o BVM (Boca Virgem Masculina) dele. 
Óbvio.
Do mesmo tamanho que veio a mensagem inicial do moleque, veio a quantidade de “KKKKKKKKK” logo depois de eu ter teclado enviar. “TÔ BRINCANDO”, exclamou ele com o Caps Lock ligado, “É 1º DE ABRIL! KKKKKKKK”. Deus, como sou grato por termos evoluído dos neandertais parar podermos criar o monitor, porque aqui na minha cadeira, eu tava com a cara mais no chão do que a Jennifer Lawrence no Oscar.

Como pude esquecer?! Era 1º de abril, poxa! Por que diabos essas pessoas faziam isso, de inventar mentiras apenas pra nos deixar desconfortáveis a níveis como esse?! Já não bastavam as mentiras que tínhamos de enfrentar (e até criar) no dia-a-dia? 
Me veio à mente que talvez fosse uma forma de aliviar uma verdade. No caso dele, não seria possível que o texto gigantesco fosse um “desabafo oficial não-oficial” sobre como se sentia em relação a mim, uma paixonite proibida? Porque o texto foi grande e bem sincero! Até ele desmentir… Tendo o poder de falar a verdade através de uma mentira apenas pra tirar o peso das costas e depois cobrir com outra mentira que anularia qualquer verdade, o 1º de abril se tornaria então O Dia das Verdades?
Pode ser, não tenho certeza. O que sei é que quiquei meus dedos no teclado ― com mais violência do que geralmente tenho quando o espanco ― e mandei um “KKKKKKKKKK EU TAMBÉM TE ZOEI, BURRO! FELIZ 1º DE ABRIL! KKKKKK”
Assim, mascarei minha verdade com uma mentira.
Te desejo muita paciência nesse “feliz dia 1º de abril”.