Mês: maio 2019

Informações sobre Hepatite C

Eu trabalho como única clínica geral na UBS de minha cidade fazendo ambulatório diário. A cidade tem por volta de 6 mil habitantes e praticamente todos são meus pacientes.

Meu dia a dia é tratar doenças ocasionais e principalmente fazer pesquisas e diagnósticos periódicos dessa população.

Dependendo da idade do paciente, esses check ups podem ser anuais, semestrais ou bienais.

As pessoas me procuram para “dar uma geral” e podem ou não ter sintomas. A maioria não se queixa de nada mas quer “fazer os exames”.

Também dependendo da idade, eu peço uma bateria de exames que vai aumentando conforme o paciente vai envelhecendo.

Meus pacientes têm de 14 a 93 anos e todos eles se submetem à uma dosagem de transaminases do fígado além de outros exames.

De acordo com recomendações de Junho de 2010, a pesquisa de sorologia para o vírus da Hepatite C deve ser feita primariamente em pacientes de risco, ou seja, alcóolatras, usuários de drogas, pacientes transfundidos e pessoas com comportamento de risco inclusive sexual.

As transaminases hepáticas – TGO e TGP – mostram se o fígado está sofrendo algum processo inflamatório, agudo ou crônico. E é através delas que eu descubro, em pacientes assintomáticos, se há algum problema hepático que necessita avaliação mais profunda.

Transaminases alteradas, mesmo que por pouco, levam à pesquisa da causa de tal elevação.

Sorologia para Hepatite A, B e C, ultrassom de abdome, bilirrubinas totais e frações, atividade e tempo de protrombina são os exames obrigatórios nesses pacientes.

Com os resultados em mãos, minha prática diária encontra uma parcela desses pacientes positivos para hepatites virais.

Os pacientes positivos para Hepatite C são encaminhados ao especialista onde se discutirá o tratamento com Interferon ou Ribavirin.

Não é todo mundo que pode ser tratado. Algumas condições de saúde contra-indicam o uso desses medicamentos.

O tratamento de Hepatite C é lento, demorado e requer dedicação do paciente. Além de controles da situação para o resto da vida, sendo então, uma doença crônica.

Mas o que podemos fazer contra a Hepatite C?

Em primeiro lugar cuidar de não ter comportamentos de risco tais como alcoolismo, uso de drogas ilegais e sexo sem proteção. Pessoas que participam desses grupos de risco devem procurar o médico e informá-lo para que se faça a pesquisa sorológica para Hepatite C independente de alteração de transaminases.

Pessoas que não se encaixam no grupo de risco devem fazer seus exames periódicos anuais, ou conforme orientação médica.

Quanto mais cedo se detecta a Hepatite C, mais chances de retardar seus danos ao fígado.

Estima-se que 3 por cento da população mundial tem Hepatite C e a maioria não sabe disso.

Faça sua parte se cuidando, se protegendo e tendo um diagnóstico precoce.

Neurônio espelho meu, tem alguém melhor do que eu?

Os neurônios espelho ficam localizados no córtex pré-motor e no lobo parietal inferior, mas a maioria de vocês é como eu e não entende nada disso (por mais que eu seja viciado em House, ainda não decorei tudo sobre o corpo humano). Eles agem quando realizamos uma ação ou quando observamos alguém em ação – ensaiamos ou imitamos mentalmente toda ação observada. Essa descoberta, uma das maiores da década, foi feita a partir dos estudos de comportamento do macaco Rhesus.

A Rainha má utilizada o Espelho Mágico, um artefato que só falava a verdade (e não são assim todos os espelhos?), para diariamente conferir se ainda era a mais bela dentre todas as mulheres, até Branca de Neve se tornar uma it girl com dezessete anos e a Rainha, toda recalcada, chorar sangue de tanta raiva a ponto de mandar mata-la.

Neurônio espelho meu

De acordo com Gallese (2005), os neurônios espelho estão relacionados ao aprendizado de novas habilidades e leitura da intenção de outros seres humanos, assim como sua disfunção pode estar ligada ao autismo. Considerando a capacidade que temos de aprendizado, é certo que são importantes para o aprendizado, isto é, influencia a cultura de cada pessoa.

Não sou cientista, mas sou um observador, já li o conto da Branca de Neve e, principalmente, já passei por muitas experiências profissionais, e a relação entre os dois assuntos é o tipo de profissional que você é.

O profissional Rhesus aprende com a observação do que acontece ao seu redor (ou de um superior diretamente relacionado ao seu trabalho), enquanto o profissional Rainha Má isola-se em sua própria magnitude, tendo a si mesmo como referência de aprendizado.
O macaco aprendeu observando, enquanto a Rainha resolveu apenas matar a referência superior a ela. Atitudes como a da Rainha são mais comuns nas empresas do que a do macaco, e quando um perfil Rhesus se destaca, ele automaticamente é reconhecido e admirado por muitos – mas também odiado por alguns.

De certa forma, a Rainha Má odeia o Rhesus.

Infelizmente, é mais comum encontrarmos perfis Rainha Má do que Rhesus: por serem perfis opostos, todo o meio entre os dois classifica-se como um punhado de profissionais imaturos, que contam as horas para almoçar ou o final do expediente e não possuem qualquer impulso em aprender ou sacrificar algo para crescer.

Digo isso com propriedade, eu já tive esse perfil em meu primeiro emprego, durei dois anos e fui demitido, passei para o segundo emprego, onde encontrei excelentes exemplos de profissionais e, na convivência com cada um, cresci e mudei minha postura.
Hoje sou dono de uma das mais notórias agências de apresentação do país, algo que nunca imaginei conquistar, e aprendi que quanto mais se reclama, menos se aprende: trabalho é trabalho, e encontrar prazer nele é um desafio fácil, difícil é enfrentar os problemas de cada dia com a mesma alegria que se recebe as boas notícias.

Tirando o cliente do hospício

Quem passou por todas as experiências envolvendo a contratação de um serviço certamente entenderá minhas palavras: parem de categorizar os clientes como loucos apenas porque eles não gostaram do resultado.

Já tive a visão de estagiário, designer, assistente de arte, diretor de arte, coordenador e, hoje, tenho a visão de dono de empresa, que tanto atendo clientes quanto também eu contrato fornecedores para desenvolverem projetos que fogem da área de atuação da minha agência. Portanto, tenho cacife para falar do assunto.

Cada vez que um cliente emite uma opinião contraria a minha (empresa), procuramos entender a razão para, assim, ajustarmos nosso trabalho, aperfeiçoar o processo, alinhar cada funcionário com o feedback para que os próximos trabalhos, sendo para o mesmo cliente ou não, sejam sempre melhores que os anteriores. E garanto: a maioria dos clientes não é louca.

O que diferencia um cliente louco de um normal é o atendimento prestado pela empresa, a forma de se relacionar para, sinceramente, entender o que o cliente precisa e espera do trabalho que ele está contratando. Muitas agências se limitam a falar apenas ao telefone ou e-mail, usam um sistema de briefing quadrado e técnico que não permitem qualquer profundidade no projeto, e certamente o trabalho não atingirá o mesmo resultado que poderia se a preocupação fosse além de pegar informações, mas principalmente entender o perfil de quem contrata.

Pela demanda de trabalho, é mais fácil padronizar um processo para conseguir atender o máximo de pedidos possível do que investir tempo de acompanhar cada projeto, mesmo que esta decisão lhe faça atender menos clientes: quantidade ou qualidade?

Em toda minha carreira presenciei diversos perfis de profissionais e diversas formas de se reclamar do pedido de um cliente, às vezes a raiva era tanta no ambiente que se o cliente entrasse pela porta e perguntasse aonde era o banheiro já resmungavam “puta merda, o cara enche o saco e ainda quer cagar no banheiro que eu uso…”.

Calma.

Aqui na agência toda apresentação é um projeto novo, e aprendemos a entender que cada empresa possui vários clientes dentro: cada pessoa que ali trabalha é um cliente.

Repare: sempre que dá problema em um trabalho, as pessoas falam mal da empresa, e não da pessoa que a está representando no ato de contratar o trabalho. Em uma mesma empresa você pode fazer trabalho para uma pessoa calma, outra que seja desesperada, ou aquela pessoa que some e aparece somente dois dias antes da entrega final. Dica: não olhe para o cliente como uma força abstrata e pragmática que contrata as empresas, mas sim que quem está contratando é uma pessoa que representa uma companhia.

Além de diversas experiências que passei em toda a minha carreira, teve uma palestra que me fez abrir os olhos para muitos detalhes a respeito do relacionamento com o cliente: Mike Monteiro fala com maestria sobre o assunto no evento Creative Mornings San Francisco.

2011/03 Mike Monteiro | F*ck You. Pay Me. from San Francisco Creative Mornings on Vimeo.

É fácil colocar a culpa no cliente, principalmente quando os frustrados artisticamente se sentem ofendidos quando seu trabalho é reprovado. Lendo um livro sobre sintaxe da comunicação visual encontrei uma interessante diferenciação entre os trabalhos criativos: belas artes é pessoal, a expressão do artista sem qualquer compromisso profissional (isto é, de contratação) e artes belas é o trabalho no campo artístico desenvolvido com compromisso profissional, para expressar o que lhe é pedido.

Ou seja, tem muito designer sentindo dores de artista. Sim, você é um artista, mas você trabalha em uma empresa para prestar serviços aos contratantes, você é pago para fazer o trabalho que lhe é pedido. Conciliar sua visão com a expectativa do cliente é a chave da negociação, que só acontece por meio de relacionamento, que não é ligar ou trocar e-mail com informações técnicas, mas sim uma aproximação pessoal para compreender aquele projeto com a mesma visão do cliente.

Não estou sendo pejorativo com os criativos, mas quero abrir os olhos: se um cliente não gosta do resultado, ele tem toda liberdade para isso e para pedir mudanças, afinal, é ele quem está contratando a empresa que você trabalha. Não podemos ter a soberba de querer sempre empurrar goela abaixo do cliente algo que nós gostamos, existe um abismo considerável entre nossa visão e a expectativa pessoal do cliente (este, representado por uma pessoa, que nem sempre interpreta os reais valores da empresa onde trabalha).

Isso vale para qualquer área, os profissionais precisam ter mais maturidade em lidar com as broncas de cada dia e aprender que o respeito deve prevalecer. Um outro exemplo (desta vez nacional) foi a palestra com Ian Black, Martha Gabriel e Eric Messa que tive o prazer de assistir no Desencontro 2012: lá tive mais um reforço de minha teoria quando o Ian falou sobre a experiência que ele tem com seus clientes em sua empresa, ressaltando o quão gratificante e bacana é trabalhar para eles.

Claro que existem casos à parte que, depois de passada a tormenta, geram ótimas histórias, risadas, cases de (in) sucesso e exemplos de personalidade a serem evitadas em um próximo projeto, mas ainda assim o hospício das reclamações certamente está mais cheio de profissionais imaturos do que clientes que perdem a linha.

O Macbook, o iPad e o iPhone

Para mim, o uso de computadores se divide em duas Eras: a Era Pré-WiFi e a Era do WiFi.

Antes do WiFi, usar o computador era algo estático, por isso a maioria das pessoas tinha um desktop num lugar especial da casa e provavelmente outro no trabalho. A interação com o computador tinha hora certa, lugar certo.

Macbook

Depois do WiFi, qualquer lugar da casa era lugar de computador, justificando então uma máquina portátil, o notebook.

Filmes na cama, trabalho na mesa do café da manhã, navegar na internet na sala vendo televisão. Até no banheiro.

Há quase 3 anos eu comprei meu Macbook. E a forma de eu interagir com um computador mudou pela incrível interface dele. Literalmente eu passei a carregá-lo a todo lugar da casa que eu ia, até na varanda. E passei a usar tudo que ele oferecia. Ele pesa um quilo e pouco e o seguro com uma mão. Já me acostumei com a tela de 13 polegadas e acho totalmente satisfatória e suficiente para eu ver filmes e faço meus trabalhos como nunca fiz. Até atendo pacientes nele no meu consultório aqui em casa.

Eu o levei algumas vezes para o trabalho no posto pois ele tem uma enorme biblioteca médica além do acesso aos sites médicos que eu frequento. Não deu certo. Mesmo pesando pouco, era pesado para carregar até o trabalho e lá não tinha WiFi, apenas o Edge da Vivo que deixava tudo lento e impraticável. Também ele ocupava um espaço que eu não tinha na minha mesa já que eu trabalho com um desktop lá, numa intranet.

Dai, em maio desse ano, veio o iPhone e todo meu atendimento médico mudou de uma forma que nunca poderia imaginar. Os aplicativos offline dele e a facilidade de entrar na internet, mesmo no Edge, disponibilizaram informações precisas, atuais e imediatas. Eu posso trabalhar perfeitamente só com o iPhone me dando cobertura. O problema do iPhone é que ele é muito pequeno para se trabalhar colocando dados nele. Eu podia acompanhar minha timeline nele sem problemas mas pensava duas vezes se iria escrever algo. Confesso que nunca vi nenhum filme no iPhone. A tela é pequena para isso na minha opinião. Só escutei músicas nele uma vez. Prefiro meu iPod Classic que tem efetivamente toda minha biblioteca musical. Assim, eu usava o iPhone como , pasmem, telefone e consultas de material médico.

A história podia acabar por aqui e eu ainda viveria feliz para sempre com os dois. Porém, tive uma oportunidade de ter um iPad.

Eu não estava sedenta por um iPad nem via necessidade de um. Mas…

Há cerca de uma semana o iPad chegou.

Minha sensação é que ele é um iPhonão sem ser telefone.

Meu atendimento médico continuou exatamente igual com ele. Inclusive, hoje dei uma saída para um cigarro e estudar um caso e esqueci o iPad, fui só com o iPhone e estudei o caso normalmente. No meu caso, todos os aplicativos médicos do iPhone funcionam no iPad e vive versa.

O iPad cabe na minha bolsa gigantesca. E o carrego com muita facilidade sendo perfeito para levar para qualquer lugar.

Tentei ver filmes nele na cama, como faço toda noite e a imagem é linda, mas tenho que ficar de pernas dobradas para apoiá-lo. Então, voltei para o Macbook.

Tentei trabalhar com ele na mesa da cozinha, como faço todas as manhãs mas a posição dele faz doer meu pescoço. Eu já encomendei uma capa com apoio lá no Dealextreme e assim que chegar acho que esse pequeno incomodo vai ser resolvido.

Pontos positivos do iPad? Ele é maravilhosamente lindo. Uma peça incrível de tecnologia e eu sei com certeza ainda não estou totalmente familiarizada com todas as possibilidades e sua inovadora interface.

Tudo num iPad é lindo.

Lindo mesmo.

Acredito que eu ainda nem arranhei a superfície de coisas legais dele.

Eu sei que não é um iPhonão. Sei que a culpa de não aproveitá-lo totalmente é minha e sei que é só uma questão de tempo.

Eu vejo o Cardoso com o iPad dele e parece que ele está usando outro aparelho que eu. Impressionante.

Se eu recomendo o iPad?

Um grande SIM! O iPad supre todas as deficiências do iPhone. E o iPhone volta a ser um telefone. Um telefone maravilhoso.

E o Macbook? Continua sendo meu queridinho e centro nervoso de minha vida digital.

Pensamento mágico empreendedor

Lembra daquela sensação forte que temos quando estamos muito alegres, de que podemos mudar muitas coisas em nós mesmos e no mundo em que vivemos? Esse é o estado de espírito que gera a fagulha do pensamento mágico empreendedor que move o mundo.

Costumo dizer que o empreendedor deve ter peito de aço para ser capaz de manter esse pensamento mágico vivo em si diante de diferentes níveis de agruras e adversidades, sem perder o intento em seu objetivo maior. Ir além do “sim” e do “não” e do “agora não posso pois estou ocupado”, sabendo que não há nada mais importante e vital para se ocupar. Ir além do sucesso e do fracasso, da fama e da corrida insana pelos resultados e pelo dinheiro. O empreendedor criativo deve simplesmente ter um objetivo maior para poder suportar e se destacar em seu meio.

Esse objetivo maior deve estar ligado à sua ideia de mundo e sua visão de melhoria a médio e longo prazo. A gana em ganhar muito dinheiro poderá movê-lo por um bom tempo e poderá leva-lo a bons lugares, mas a força interna que surge de um legítimo objetivo será seu único guia para tomar  as decisões mais importantes e saber qual é o caminho mais inteligente e principalmente para ter coragem e certeza que de ter muito, mas muuuito mais possibilidades do que seus possíveis competidores, sejam elas StartUps ou Mega Corporações. O empreendedor criativo ganha ímpeto e força ilimitada apenas com seu trabalho e sua convicção.

Não quero ser romântico nem idealizar a imagem de um super herói dos negócios, pessoas que transcendem sua realidade. Sabemos que nada disso existe e que todos esses prodígios são realizados por pessoas comuns que resolvem aventurar-se em novíssimas frentes por sentirem-se insatisfeitas com o cenário atual e acreditarem que podem e devem, mantendo acesa em si a chama do novo, seguindo com bravura a estrada do pensamento mágico.

Mas afinal, em que consiste esse tal pensamento mágico empreendedor? Trata-se justamente de fazer tudo o que a sociedade menos valoriza: ser livre. Liberar a própria mente para o fluxo de ideias e insights que o universo nos proporciona em abundância, mas que estamos fritando as pestanas demais na frente do computador para captá-las. Significa seguir com responsabilidade nossos instintos infantis na forma de brincar com realidades e conceitos, o  brincar despreocupado e criativo com as possibilidades e realidades, libertando-se de  barreiras culturais e impedimentos lógicos.

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Não somos mais crianças, pois temos uma bagagem cultural e social intensa que adquirimos por imitação dos demais. Isso não quer dizer que perdemos totalmente nosso pensamento mágico e brincante, podemos sim recuperar essa fundamental ferramenta para a evolução de  nós outros e  para o avanço como humanidade. Somos tão sensacionais como humanos que podemos estudar demais um assunto pesquisando profundamente e depois largarmos de lado toda aquela informação. Nosso cérebro é maravilhosamente preparado para processar e criar novas conexões com todo esse conhecimento e, acredite,  essa máquina neural é tão sofisticada que pode processar sozinha esses conteúdos e gerar novas ideias de excelência. Sem grande esforço, para percebermos essas ideias é preciso nos libertarmos do condicionamento de nossa mente consciente, muitas vezes isso acontece em um momento de distração ou de descontração. Essa é a origem das grandes ideias, caem em nosso colo constantemente como sinais prontas para serem vividas e alimentadas.

Esses grandes insights e ideias inovadoras não surgem “do nada”, elas advém  justamente de nosso poder intenso de processamento revelada em nosso ócio criativo. É bem verdade que nosso cotidiano é repleto de pressões externas que influem e matam esse fluxo, revelando-se em forma de acontecimentos, afazeres intermináveis, preocupações e responsabilidades, capazes de travar ou inutilizar esse poder abstrato. Abafamos ainda por livre e espontânea vontade o que nos é mais valioso, para depois culparmos a sociedade (da qual somos sócios) e à cultura atual. Simplesmente somos nós os verdadeiros culpados por aceitarmos essa quebra do fluxo do pensamento mágico, assim como somos também os responsáveis únicos em recuperar este poder miraculoso.

Mais importante que o pensamento mágico é sem dúvida nenhuma colocá-lo em prática, o FAZER. É justamente esse fator que difere o empreendedor dos viajantes cheios de ideias intangíveis à realidade. Mirabolantes e com enorme potencial, todos nós temos ideias advindas do pensamento mágico empreendedor pelo menos uma vez em nossas vidas e não raro tem muita relação com nossos objetivos mais enraízados, pessoais e as vezes até espirituais. Mas vincular a iniciativa com a persistência e acabativa é o que traz o resultado e toda a diferença, que e as vezes nos falta e que diferencia por completo um fluxo de IDEIAS  criativas do fluxo de REALIDADES alternativas.

Nessa questão milhares de projetos que poderiam trazer contribuições, tanto pessoais como comunitárias, morrem no lodo da inação, descrença e desânimo Por isso o maior desafio do empreendedor da economia criativa é justamente acreditar em suas abstrações a ponto de banca-las em seu presente, simplificando sua execução e arregaçando as mangas para fazer de seus sonhos, realidade.  Quando temos ideias sensacionais e verdadeiras e não as realizamos criamos em nós um grande vácuo existencial, mas mesmo o fato de guardá-las a sete chaves para nós mesmos não irá impedir com que outras pessoas às percebam e às realizem. É incrível, mas em pouco tempo outra pessoa acaba tendo essa mesma ideia a realizando-a, deixando-nos pasmos, desconfiados e até mesmo nos sentindo roubados.  É como se as ideias estivessem pairassem no ar, prontas para quem tiver o pensamento mágico captá-las e  garra para realiza-las. Nada mais justo.

Ainda mais importante no processo de concepção de uma hipótese de mercado será a vivência efetiva dessa ideias na prática mercadológica. Da validação das propostas com clientes reais, potenciais usuários e beneficiários surgirão os principais conselhos, críticas e principalmente os caminhos a serem percorridos para dar continuidade e fluidez ao processo de criação, sendo ao mesmo tempo prova de fogo do pensamento mágico empreendedor inicial e alicerce para seu desenvolvimento primordial como negócio, com resultados tangíveis e previamente validados quanto utilidade, escalabilidade e lucratividade expressiva.

Antes de ver uma televisão funcionando ninguém e sã consciência poderia imaginar que um objeto poderia transcender o mundo físico naquele nível, levando ao ar acontecimentos e situações, imagens, sons de diversos lugares distintos passando de forma mágica e instantânea.  Apenas um projeto executivo, documentações ou desenhos técnicos não seriam capazes de convencer as pessoas, mas o fato de haver uma televisão funcionando é inquestionável e real, ela existe. Daí a impressão cotidiana que aquele objeto sempre existiu e esteve ali, como se fosse uma inspiração dos Deuses realizada pelos humanos. Podemos dizer que a sensação procede, mas na verdade para aquele objeto estar ali disponível para nosso uso, foi preciso que alguém realizasse o pensamento mágico empreendedor, para trazer aquela invenção do mundo abstrato das ideias para o mundo real, físico, tátil e simbólico.

É muito natural e até bom que as pessoas estranhem quando acreditamos, bancamos e realizamos nosso pensamento mágico empreendedor com firmeza levando isso em nossas vidas até as últimas consequências. Em geral perdemos nossos referenciais sobre esse maravilhoso processo pois estamos presos no conforto e nas facilidades das soluções simples dos outros, que podem ser sensacionais mas nos deixaram paralíticos ou robotizados frente à nossa verdadeira essência. No fundo sabemos que não estamos distantes o bastante desse pensamento pois somos capazes de detectar essa linha de pensamento nos objetos, nas realizações alheias mas principalmente em nossas próprias ideias sensacionais. Reconhecemos essa riqueza mas ainda assim insistimos em cortar o fluxo em nós mesmos, talvez por uma longa preguiça existencial. Isso nos causa grande pressão, digna de um Big Bang , e daquele grande descontentamento e sensação de impotência perante ao mundo,  começam a surgir faíscas que acabam por causar a grande explosão do pensamento mágico empreendedor. Isso pode acontecer com pessoas que vivem uma vida de estabilidade e regalias com cargos de respeito, igualmente com pessoas desempregadas e sem uma atividade profissional definida. Deriva mais comumente de um ímpeto pessoal e íntimo das pessoas para com a sociedade e imdependem de classe ou personas sociais.

Não importa se dentro de uma empresa, criando um novo negócio ou StartUp ou realizando um grande sonho que exigirá  mudança brusca. Manter nosso pensamento mágico empreendedor é o caminho para encontrarmos sentido, sabermos de fato quem somos identificado àquilo que fazemos. É como acordar do sono profundo de conformismo, renascendo para uma realização pessoal intransferível.

Para isso é preciso muita coragem e persistência, pois o dia-a-dia é real e traz problemas e questões que nos testarão das formas mais extremas e variadas em seus pontos fracos e vulnerabilidades que por vezes abafam o fogo de palha inicial. Desafios e impedimentos agem como filtros de resistência para as grandes ideias e são como pequenas agulhas que insistem em nos perfurar e que com o tempo aprendemos a trabalhar, chegando ao ponto ideal de tirar forças das adversidades desse jogo de acupuntura. Nessa hora fica mais nítida a importância e o valor da força dos nossos sonhos, pois será precioso que sejam esse impulsos íntimos, elevados, relevantes e reais o bastante para você.

Para realizar o pensamento mágico empreendedor e ter sucesso nesse empreendimento criativo, mais importante ainda que dinheiro ou o tão valorizado e ilusório “sucesso”, o empreendedor criativo se valerá de seu ímpeto criativo e terá como base seu ideal sonhador inicial, desenvolvido pelos clientes em proposta de valor conveniente e inovadora. É a realização não apenas de desejos e anseios pessoais, pois reflete o pensamento mágico de toda uma geração dando-lhe forma, cor, função e existência.
Mais que um negócio próspero, é um legado de inteligência e percepção humana a serviço de seus iguais.