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Fotografia e Skate

Quando tinha 13 aninhos, comprei meu primeiro e único skate. Gastei uma fortuna! Comprei mochila pra ele, equipamentos de segurança, tudo de mais incrível pra saciar meu amor por aquele bicho. Depois de cair a primeira vez, desisti, deixei de lado, e minha mãe nunca me permitiu esquecer: “gastei uma grana e você só andou uma vez!” A paixão adormecida acordou de novo.
Vou comprar um skate. Sempre tive vontade de tentar de novo, mas como essa ladainha de depender do dinheiro da mãe é foda, fiquei sem coragem de pedir. Mas juntei um money e desse mês não passa. Porque agora não tenho medo de cair, de arriscar uma manobra! E moro cercado por praias, poxa! Mesmo que eu não queira radicalizar, final da tarde em um domingo deslizando pelo asfalto só vai fazer bem!

Foi depois de assistir ao filme Chasing Mavericks (vou falar dele nessa sexta) e ler o post da Ana Farias sobre crise de meia-idade aos 21 que percebi: tô perdendo tempo! Não estou velho pra aprender a andar de skate! Não tô velho pra me limitar e deixar de fazer as coisas que gosto, que quero, que preciso. No momento, preciso de uma bicicleta, um skate, vento na cara e minhas praias!

Preciso aproveitar o que tenho, aproveitar um esporte saudável, conhecer gente nova. Tirar mais fotos! Quero arrastar meus amigos comigo, perder a vergonha de parecer noob na frente dos outros, a vergonha de tombar, rir e usar capacete!

Li em algum lugar que pra andar de skate tem que ser moleque (ou moleca), independente da idade. Concordo. E também concordo que independente da “modinha” estar voltando, preciso fazer o que eu quero fazer. Não tô matando ninguém mesmo…
Só minha mãe. Do coração.

E o vídeo dessa semana, que eu deveria ter feito um post ontem, fala sobre a mania que a gente tem de dizer que vai dormir, mas que não consegue largar do Facebook ou computador. A gente prefere cair de cara no teclado do que deitar na cama. Coisa de doente, né? Assiste aí!

Andar de skate depois dos 20, 2: Como andar de skate?

Você aprendeu a comprar o skate certo no outro post. Com ele em mãos, é hora de coloca-lo nos pés. Vou explicar nessa parte do guia o que é base, a forma correta de ficar em cima do shape e quais os melhores tipos de asfalto pra treinar seu equilíbrio, sua remada (impulso) e suas curvas. Cair faz parte, então sem medo! Vem!

QUAL É SUA BASE SOBRE O SKATE?
Base é a forma com que você pisa sobre o skate, que vai definir qual pé vai ficar na parte da frente do shape, na altura do par de parafusos mais perto de você e qual vai ficar atrás, na curvinha da ponta traseira (a tail) pegando impulso, manobrando curvas e freadas mais bruscas. Por isso, suba no skate (não faça dentro de casa), coloque seu pé direito na frente e pegue impulso com o esquerdo. Depois troque de pés e faça a mesma coisa. Com qual posição você se sentiu mais confortável?

Se foi com o pé direito na frente e o esquerdo atrás, você é goofy, como mostra a imagem aí em cima (sou goofy também). Se foi com a esquerda na frente e direta atrás, você é regular. Se ficou confortável das duas maneiras, meus parabéns, você é switch. Qual o certo? Aquela posição em que se sentir mais confortável. Não tem regra.
Vale ressaltar que no começo não será muito importante, mas se você pretende manobrar depois, todo mundo recomenda que você treine com as duas posições até se acostumar, já que algumas manobras pedem a inversão dos pés. E convenhamos que é muito mais divertido ser switch do que um ou outro.

COMO FAZER CURVAS COM SKATE?
Sabendo sua base e dando os primeiros impulsos, você tá mantendo o equilíbrio. No começo eu só conseguia fazer linhas tortas, nunca conseguia andar em linha reta. Fiquei a noite toda tentando, mas não saía de jeito nenhum. Voltei pra casa cansado e, na semana seguinte, consegui fazer uma linha reta inteirinha no asfalto da orla de primeira. Depois de dominar minha linha reta, fui aprender as curvas. Tenha paciência, seja insistente, mas saiba quando descansar. 
A curva simples, pra desviar de um objeto distante ou para mudar de uma mão para outra na pista, é questão de apoio da ponta dos pés e calcanhares nas extremidades laterais do skate, flexionando os joelhos. Se quer virar para a direita, deposite um pouco do seu peso nos pés para a direita. Se para a esquerda, faça o movimento para a esquerda. Se o truck estiver bem colocado, vai sentir que o skate “afundou” para o lado que você quis e as rodinhas do lado que recebeu a força dobram pra dentro um bocado. 

Para curvas mais bruscas e freadas, a força é jogada para o pé de trás, sobre a tail, relaxando o pé da frente (sem tira-lo da lixa) para levantar as rodas frontais e direcionar as traseiras para o outro lado com um movimento de impulso do quadril, colocando as rodas frontais no chão rapidamente com o pé da frente de novo. É um pouco mais complicado, prometo aprofundar o assunto no futuro. O Youtube tem um monte de exemplos:

POSTURA SOBRE O SKATE
Tente se manter ereto com os cotovelos flexionados e, quando necessário dar impulso, dobre os joelhos um pouquinho. Seu pé precisa ficar com a ponta e os calcanhares sobre as extremidades laterais do shape para que você consiga fazer a curva da maneira correta (olhe a imagem sobre bases). 
Quando remar, não afaste demais a perna que dá impulso, isso pode desequilibrar. De começo, não tente correr muito também. Se sentir que vai cair, projeta seu rosto e cabeça. Em vários sites os caras recomendam equipamentos de proteção e segurança, mas acho feio e não comprei os meus. Até hoje, já rodando bem, tentando dar meu primeiro ollie (manobra de pular com o skate) e fazendo curvas bonitonas, não caí. 

Não quer dizer que o material de segurança é dispensável, só quer dizer que sou a porra de um maluco que vai acabar mais ralado que queijo ou em coma hora ou outra. Mas heim, agora que o básico está aqui, vou falar um pouco da minha experiência andando de skate depois dos 20 anos e sobre o asfalto perfeito pra iniciantes.

DIÁRIO DE SKATE DO GAROTO COM MAIS DE 20 — PARTE 1
Comecei a andar sozinho. Na segunda semana chamei amigas, sendo que apenas uma tinha skate e por ter comprado em uma loja não especializada, ficou com um skate ruim, o que é o mesmo que não ter. Só que na quarta semana fui com meu melhor amigo e eterno jovem que já escreveu aqui no DDPP, o Begus Bezerra, comprar o longboard dele, aquele skate mais largo e comprido.
O longboard, além de muito mais estável, foi montado com maestria pelos caras da loja, por isso reforço a importância de comprar em locais especializados! Sai mais caro (custou R$ 500), só que dura muito mais e fica muito mais confortável no pé. Se possível, recomendo que mostre para seus amigos como andar num skate pode ser delicioso. A experiência de ter alguém com a mesma vontade de andar é positivamente diferente. Por quê?

Porque é legal ter com quem comentar cada segundo que conseguiu descer a ladeira perto de casa sem cair ou a primeira curva de 360º. É legal trocar de skate e apostar corridas. É legal dar as mãos e ficar inventando manobras de impulso, um puxando o outro. É legal descobrir que a quadra recém-construída do bairro pode ser o novo point de vocês toda sexta à noite.
Além de comprar no lugar certo e levar um melhor amigo, a escolha do asfalto foi importantíssima pro meu aprendizado. Sei que quando a gente pega um skate, achamos que o ideal é atravessar o bairro inteiro pela estrada como se andássemos por milênios. Calma! Recomendo definir duas coisas: o tipo de asfalto e o tamanho da pista no qual você vai percorrer para aprender, acostumar com teu bebê nos pés, aprender a fazer curvas etc.

Descobrimos, eu e o Begus, que a quadra e a calçada ao redor da praça gigante são perfeitas pra isso. Principalmente de madrugada, nosso horário lindo. Além de não ter carros nas ruas ou pessoas que possam “travar” nossa inibição, ninguém quer jogar futebol, deixando o espaço livre para até quatro skatistas aprenderem, zoarem, gravarem vídeos e tirarem fotos.
Com The Drums nos ouvidos, celular na mão, McWrap na bolsa e suor na testa, aprendi nesse dia (04/05/13) que andar de skate pode ser ainda mais divertido do que já achava enquanto sozinho. Essa coisa de vento no rosto, praia, música alternativa, fotografia analógica e vídeos despojados podem ter um sabor muito mais apurado se o melhor amigo estiver do lado.

Gravamos um videozinho, assista aí:

Para o 1º Emprego, Parte 3 – Dicas Reais Para a 1ª Entrevista

Antes de fazer minha primeira entrevista de emprego, achei que me daria muito bem. Antes de deixar minha personalidade excessivamente confiante e metida de lado, era muito dono de mim, muito nariz em pé, o que me daria toda estrutura pra encarar os entrevistadores. Quando assumi minha natureza desastrada, assumi também que minha entrevista quase foi um fiasco total. Por que não foi?

Porque fui sincero. Sei que todos os guias da internet te dizem pra manter postura, ser você mesmo, centrado, focado, mas a realidade é que o nervosismo te quebra. Pelo menos na primeira entrevista. Mesmo um cara confiante vai sentir a tensão, não por ter seu currículo posto à prova, mas pela seriedade e pressão que uma entrevista exerce. Aí você treme na base.

Se tiver de fazer uma prova ou teste na hora pra mostrar pros entrevistadores (no plural, pois assim foi comigo) o que você sabe, se você tem agilidade e tal, a pulga coça até no olho. Se você tem problemas em fazer as coisas com pessoas observando, vira o apocalipse na Terra.
Se tiver a mesma sorte que eu, conseguirá avaliadores que enxergam através do nervosismo (mesmo que pouco aparente), que te enxerguem como o aprendiz que é, correndo atrás da primeira chance pra lidar com a rotina do mercado de trabalho, pessoas que se colocam no seu lugar, que te julgam além de um profissional, mas como humano.

O que não significa que você deve relaxar e esquecer aqueeeelas outras dicas de foco, concentração e blá, blá, blá. Ter consciência de que você precisa passar uma imagem responsável e empenhada, com fome de aprender e melhorar, te direciona, cria uma seta mental e invisível que todos os presentes na sala podem sentir. E use roupas confortáveis, ok?
Essa imagem não precisa nem deve ser falsa. Fale sobre suas limitações, converse sobre o que você sabe. Não atire no escuro, não minta, não suponha ou deixe que sua confiança (ou tentativa de ter uma) se transforme em soberba. Lembre-se que além de suas habilidades, te avaliam como órgão de um corpo que não funciona sem todos os outros pedaços — funcionários — e mostrar que você é tranquilo de lidar (ou tenta ser) é ganhar pontos.

Por isso, respire, inspire e não pire! Ao invés de olhar essa entrevista como ida ao carrasco, veja como uma das milhares de oportunidades que você terá para chegar onde quiser, não desmerecendo essa vaga, mas tendo consciência de que errar é humano e que se você não for escolhido, bem, não foi
Existirão outras chances. Poucas cairão do céu, muitas serão resultado de suas buscas incessantes e cansativas, mesmo quando tudo parecer não funcionar. Até que um dia você terá um contrato assinado, o primeiro salário, novos amigos — talvez alguns inimigos — e um monte de novas esperanças, encarando desafios cada vez mais difíceis e, espero, prazerosos.

Como fazer camisa Batman

Tava na hora de dar continuidade aos “faça você mesmo” do DDPP! Depois de um de meus personagens favoritos dos videogames, vem o super-herói que me ensinou a ler, meu querido, amado, idolatrado morcego: Batman! Em seis passos, você pode ter uma camisa igual a essa gastando bem pouquinho! Coloque roupa velha (caso respingue tinta de tecido em você), separe materiais e vam’bora!



MATERIAIS

1. Camisa 100% algodão 2. Tintas para tecido preta e amarela 3. Moldes cortados (vou explicar já) 4. Papelão 5. Pincéis e batedor ou rolinho 6. Estilete 7. Cartolina ou chapa usada de raio-x (pro molde) 8. Fita adesiva
COMO FAZER O MOLDE
Essa técnica é chamada de stencil, onde você imprime esses dois desenhos e recorta na cartolina ou chapa de raio-x, que servirá como molde vazado por onde a tinta passará. Na elipse amarela do símbolo do Batman, é só recortar na linha pontilhada, bem fácil. Na vez do morcego em si, preciso explicar uma coisa.
O MOLDE 2 tem dois elementos: o morcego e a linha que acompanha a borda da elipse. Se você cortar essa linha da borda direto, a parte interna que tem o morcego não vai ficar presa ao molde. Para que isso não aconteça, é necessário criar essas pontes brancas que parecem falhas na linha. Dessa forma, NÃO CORTANDO SOBRE AS PONTES, o desenho do morcego continua no molde.

Corte com estilete apenas sobre as linhas pretas, chamadas de “linhas de corte”. Qualquer coisa é só olhar o passo-a-passo ou como fiz a camisa do Sonic. Baixe o MOLDE 1 e o MOLDE 2 e acerte o tamanho que você quiser na hora da impressão.
FAÇA VOCÊ MESMO

1. Coloque o pedaço de papelão por dentro da camisa, na altura da parte que receberá o desenho. O papelão impede que a tinta manche a parte de tráse dá maior estabilidade para pintar.
2. Prenda o MOLDE 1 com o auxílio da fita adesiva. 
3. Com o MOLDE 1 bem preso, pinte de amarelo com cuidado para não sujar a camisa. Espere secar um pouco e retire o molde sem pressa.
4. Posicione o MOLDE 2 se baseando na linha da borda. Prenda com fita adesiva.
5. Pinte de preto, espere secar e retire o molde.
6. Percebeu que as pontes deixaram falhas na linha preta da borda do símbolo? É só corrigir com um pincel fininho ou caneta pra tecido e pronto, tá pronta! 

Espere 3 dias para lavar, ok? Deixe-a secar longe do Sol, mas em local arejado. 
Agora vá salvar o mundo, por favor!

Como pintar skate de preto

Sábado vou postar parte do meu diário de quem começou a andar de skate depois dos 20 anos. Gastei R$ 294,00 comprando ótimas peças (sinto no pé quando comparo com amigos que compraram de outras marcas) mas não tinha na cor que eu queria. O que fiz? Já que o skate ia arranhar mesmo, por que não pintá-lo de preto, deixando como sonhava?

Pintar um skate tem menos mistério do que parece, ainda mais pro cara que pintou quase todos os móveis do próprio quarto, tendo de lixar cada um na mão. Falando nisso, vamos aprender sobre lixas? Lixar e pintar é o que você precisa saber pra deixar teu shape (a parte do skate onde você pisa) bonitinho. Olha como era:

Cada lixa é definida pelo número de granulometria, ou seja, o tamanho dos grãos que a compõem para remover camadas de uma superfície. Quanto menor o número da lixa, maior serão os grãos. Por isso é comum usar dois tipos de lixa para dar acabamento perfeito antes da tinta, usando uma de número baixo, para remover a parte grossa de verniz, por exemplo. Depois usa-se um número mais alto para uniformizar os cortes e desníveis causados pela lixa anterior. Simples.
MATERIAIS

1. Compre tinta esmalte sintética, pode ser de latinha ou spray, mas na hora de aplicar as coisas mudam. Se optar pela latinha (que vem mais tinta por quase o mesmo preço), vai precisar de um rolinho e um prato de tinta. Se quiser o spray, só vai precisar da lata e a uniformidade da aplicação é muito melhor, assim como o tempo de secagem fica mais rápido. Vai do gosto de cada um. 
2. Duas ou três lixas de 120
3. Duas ou três lixas de 100

FAÇA VOCÊ MESMO
1. Sem segredos, desmonte o skate (aprenda nesse vídeo como fazer) e posicione a parte a ser pintada do shape pra cima. Comece com a lixa de 100, a grossa, para remover a resina super chata que vem nele. Você vai suar um pouquinho pois essa resina é pra diminuir o número de arranhões no seu shape enquanto anda, é bem resistente. Sempre lixe de uma ponta a outra, jamais de cima pra baixo. Por quê? Pra ficar uniforme. Não lixe em várias direções. Siga o exemplo abaixo:

2. Reparou que a lixa grossa (de 100) marcou bastante o shape? Agora é só acertar isso com a lixa de 120. Se quiser ainda mais uniformidade, pode usar um número mais alto depois. 
3. Se for usar o rolinho, dê a primeira demão e espere entre 15 e 30 minutos até dar a segunda. Dê quantas demãos forem necessárias. No spray, entre 3, 5 ou 8 minutos você pode aplicar uma demão, sendo que a primeira precisa ser beeeem de leve, quase que invisível, para criar uma superfície em que a tinta cole tranquilamente. 
4. Espere secar entre 12 e 24 horas (se pintou de spray) ou entre 24 e 48 horas (se pintou de rolinho), monte tudo de novo (só rever aquele vídeo de cima) e, BANG, tá pronto!
E fica foda demais!

Amo a cor preta e minha vontade maior, apesar de meu shape ser bonitinho e colorido, era ter um skate todo dessa cor. Tive de pintar o truck também, aquele suporte de ferro que segura as rodinhas, sabe? O processo de lixamento é o mesmo, só que pelo formato é bem chato fazer um trabalho bem feito. Dá pra pintar com rolinho? Dá. Mas com spray é o dobro de facilidade.

Estilo Xamânico ou Native

O estilo “native” (expressão vinda de como os gringos chamavam os índios nativos dos Estados Unidos) ou xamânico é caracterizado pelo uso de formas geométricas, representações de animais e símbolos que representam forças da natureza e todos os seus ciclos. Nesse post falarei de como isso se aplica na moda, na decoração e no estilo de viver. Vem que a viagem é psicodélica.
Antes de mais nada, não adianta se encher do grafismo desse estilo se em sua vida você não tem o menor respeito pela natureza. Entender que as forças dela são maiores que as dos homens e que todos os seres vivos que compartilham a Terra se unem por teias invisíveis, é personificar nesse estilo uma verdade.
Não precisa se tornar xamã, mas acredito que se você se encher de coisas do tipo e jogar latinha de refrigerante pela janela do carro ou chutar seu cachorrinho só vai te transformar num poser. E não tem nada pior do que um poser, que é uma pessoa que diz ser algo pra impressionar as pessoas quando, na verdade, é outra, muito mais patética. 
O ESTILO DE VIDA
Xamãs são identificados por seus conhecimentos de cura, dos processos naturais e, principalmente, por seus poderes de pegar “emprestado” as capacidades dos filhos da natureza, entre eles animais e eventos climáticos. Muitas vertentes de “bruxaria moderna” se aproveitam da veia xamânica pra acessar energias selvagens das quais nós, habitantes de cidades, perdemos com o passar dos séculos.

Independente do lado místico acerca dessa figura, o xamã é um grande sábio, um índio que por tradução literal “enxerga no escuro”. É uma pessoa que se enxerga como parte de um ciclo gigantesco onde toda ação gera reação. Sendo assim, é muito cuidadoso e reflexivo antes de tomar qualquer atitude. 
NA MODA
O estilo native american se assemelha muito com o estilo hippie, com peças leves e com cara de “gente que ama a paz”, diferenciado por estampas geométricas e tribais em tons de coloridos sóbrios ou de diferentes tons de marrom. Bolsas de couro (sintético, por favor) com babadinhos sobrepostos, sandálias, headbands de palha e muitas, muitas penas! Isso sem falar nas estampas de corujas, lobos, veados, búfalos, águias, ursos e blá, blá, blá! Casa bem pra quem curte uma pegada mais rocker também.

Outro acessório que não chega a montar um look pra andar na rua, mas que fica muito legal numa social com essa temática (vou dar dicas pra uma festa desse tipo depois que ensinar como fazer uma tenda) é o cocar, ou o indian headdress. É difícil de achar pronto, sai caro e geralmente colocam na parede pra decorar. Existem variações de cocares pra cada região, mas a dita nesse post segue o estilo “clássico” mostrado abaixo:

NA DECORAÇÃO
Apanhadores de sonhos, imagens de lobos, crânios de animais que morreram de forma natural, cangas penduradas no teto, móveis em madeira rústica, totens com a mesma proposta de uma carranca brasileira (pra afastar maus espíritos) e, meu objeto favorito e sonho de consumo, uma tee pee, a famosa tenda indígena afunilada pra cima.

TATUAGENS
Uma observação importante é que o estilo gráfico asteca se confunde bastante com as geometrias xamânicas. Por isso, garimpe lojas de vendedores chilenos, sempre tem coisa legal pra decorar ou vestir, incluindo bolsas geralmente num bom preço, pois são produtos artesanais (até baratos, se quer saber).
Aqui deixo tatuagens pra apresentar esses estilos gráficos muito semelhantes, que casam muito bem.

Domingo vou postar uma trilha sonora inspiradora, pra que você entre nesse universo de cabeça. Independente de gostar ou não do estilo, seria legal praticar a filosofia do respeito, então comece respeitando o espaço em que você vive: nada de lixo na rua, nada de crueldade com os outros! 
Toda ação gera reação. Tudo que você faz, volta pra você.

Somos viciados em dramas?

Quando as coisas estão difíceis, a gente reza para que tenha alguém acima das nuvens pra livrar nossos caminhos de pedras, pedimos milagres e simplificações pra facilitar a vida. Só que quando temos tudo na mão, sem um problema sequer, reclamamos da falta de adrenalina, do tédio. Por que não podemos aceitar o que vier como desafios e menos como roteiros de filmes?

Suspeitamos do que vem fácil porque o ditado sempre disse que quando vêm desse jeito, costumam ir embora facilmente também. Será que é daí que vem o costume de querer complicar tudo pra termos a sensação de que valeu a pena o sacrifício, alguns litros de lágrimas e a quase destruição de nosso emocional — e paciência de quem nos cerca?

Sempre fui a drama queen dos amigos. Se chamavam pra balada, reclamava do porquê de não quererem passar a noite de sábado comigo sabendo que eu não aceitaria sair. Se não chamavam, ficava puto internamente por não terem cogitado minha participação na noite de sodomia. “Você não ia querer”, respondiam eles. Verdade. Provavelmente ficaria em casa. Mas não é educado apenas perguntar?
Motivos para gerar dramas variam de não deixarem a última bala do pacote ou o relacionamento onde tudo acontece sem complicações. Em casa a gente vê isso: quando os pais são liberais, reclamamos de não se importarem conosco, filhos. Quando são protetores, reclamamos da falta de liberdade, batemos o pé, fazemos bico e achamos que ouvir System of a Down vai resolver alguma coisa.
Ou simplesmente irritar a vizinhança inteira.

Aí entra a parte do vício e/ou costume de querer o mundo mais difícil, talvez pra buscar a boa sensação de um suspiro de alívio depois de um monte de tormento. Uma desculpa para nos fazermos achar que merecemos o sorriso, já que sofremos tanto. É nosso complexo de novela mexicana, de que depois de tanto sofrer — mesmo que produzido por nós mesmos — merecemos recompensas.
Quando encontramos alguém que diz que ama, que liga perguntando como estamos e que adora e é adorado pelos amigos, procuramos alguma coisa pra reclamar: quilinhos a mais ou, a menos, academia demais, pouca inteligência ou muito mais esperteza, por pagar toda a conta da lanchonete ou por levar pra faculdade de carro todos os dias. Aí caímos fora por medo do tédio.

Quando é alguém que não fala que ama ou prefere sair com várias pessoas ao mesmo tempo, reclamamos da falta de carinho, por não abraçar o suficiente, por não ligar tantas vezes quanto deveria e blá, blá, blá, blá, blá. E ficamos presos nesse relacionamento até arrancar pedaço, até quase morrermos de hemorragia de autorrespeito. Só então prometemos: “vou arranjar quem me ame de verdade”
E fazemos tudo de novo.

Dramas podem ser saudáveis numa briguinha aqui e ali pra nos darmos conta do valor da paz, assim como a tristeza nos mostra como é muito melhor sermos felizes. A mistura ruim fica por conta do drama + autossabotagem, quando a gente tem problema com nós mesmos e construímos desculpas para deitar na cama e esperar um messias.
Vai, pode admitir: sem drama, a vida não fica com cara de série de TV. E se não parece com série de TV, achamos que a vida está errada, que não é real. É aí que podemos morrer esperando o roteiro que nunca vai chegar na caixinha do correio.

1º de abril: dia da mentira ou verdades?

Não que seja ranzinza ou mal-humorado (apesar de ser os dois de forma crônica), mas aguentar mentirinhas de 1º de abril é pra quem tem sangue forte. O que gosto nessa data sem motivo de existir além das baboseiras culturais que tentam explicá-la, é como usam mentiras pra falar verdades e, quando o resultado não é esperado, tornam as verdades puras mentiras. Confundiu?

Ano passado, um “amigo” veio se declarar pra mim via Facebook. Amigo hétero, diga-se de passagem. Falou que não conseguia viver sem minha amizade, que era muito importante e que tinha muita curiosidade de me beijar, que se fosse fazer isso com um cara, gostaria que eu fosse o primeiro. Quando terminou, perguntou o que eu achava daquilo, se ele tinha chance.

Por que eu diria “não” pra um cara lindo e que se declarou numa bíblia quase escorrendo caracteres por falta de espaço da tela da inbox? Disse que sim, que tinha chances, que sempre o achei atraente, mas que entendia sua orientação sexual e que respeitaria nossa amizade acima de qualquer coisa. E, claro, disse que me sentiria muito honrado em tirar o BVM (Boca Virgem Masculina) dele. 
Óbvio.
Do mesmo tamanho que veio a mensagem inicial do moleque, veio a quantidade de “KKKKKKKKK” logo depois de eu ter teclado enviar. “TÔ BRINCANDO”, exclamou ele com o Caps Lock ligado, “É 1º DE ABRIL! KKKKKKKK”. Deus, como sou grato por termos evoluído dos neandertais parar podermos criar o monitor, porque aqui na minha cadeira, eu tava com a cara mais no chão do que a Jennifer Lawrence no Oscar.

Como pude esquecer?! Era 1º de abril, poxa! Por que diabos essas pessoas faziam isso, de inventar mentiras apenas pra nos deixar desconfortáveis a níveis como esse?! Já não bastavam as mentiras que tínhamos de enfrentar (e até criar) no dia-a-dia? 
Me veio à mente que talvez fosse uma forma de aliviar uma verdade. No caso dele, não seria possível que o texto gigantesco fosse um “desabafo oficial não-oficial” sobre como se sentia em relação a mim, uma paixonite proibida? Porque o texto foi grande e bem sincero! Até ele desmentir… Tendo o poder de falar a verdade através de uma mentira apenas pra tirar o peso das costas e depois cobrir com outra mentira que anularia qualquer verdade, o 1º de abril se tornaria então O Dia das Verdades?
Pode ser, não tenho certeza. O que sei é que quiquei meus dedos no teclado ― com mais violência do que geralmente tenho quando o espanco ― e mandei um “KKKKKKKKKK EU TAMBÉM TE ZOEI, BURRO! FELIZ 1º DE ABRIL! KKKKKK”
Assim, mascarei minha verdade com uma mentira.
Te desejo muita paciência nesse “feliz dia 1º de abril”.

Informações sobre Hepatite C

Eu trabalho como única clínica geral na UBS de minha cidade fazendo ambulatório diário. A cidade tem por volta de 6 mil habitantes e praticamente todos são meus pacientes.

Meu dia a dia é tratar doenças ocasionais e principalmente fazer pesquisas e diagnósticos periódicos dessa população.

Dependendo da idade do paciente, esses check ups podem ser anuais, semestrais ou bienais.

As pessoas me procuram para “dar uma geral” e podem ou não ter sintomas. A maioria não se queixa de nada mas quer “fazer os exames”.

Também dependendo da idade, eu peço uma bateria de exames que vai aumentando conforme o paciente vai envelhecendo.

Meus pacientes têm de 14 a 93 anos e todos eles se submetem à uma dosagem de transaminases do fígado além de outros exames.

De acordo com recomendações de Junho de 2010, a pesquisa de sorologia para o vírus da Hepatite C deve ser feita primariamente em pacientes de risco, ou seja, alcóolatras, usuários de drogas, pacientes transfundidos e pessoas com comportamento de risco inclusive sexual.

As transaminases hepáticas – TGO e TGP – mostram se o fígado está sofrendo algum processo inflamatório, agudo ou crônico. E é através delas que eu descubro, em pacientes assintomáticos, se há algum problema hepático que necessita avaliação mais profunda.

Transaminases alteradas, mesmo que por pouco, levam à pesquisa da causa de tal elevação.

Sorologia para Hepatite A, B e C, ultrassom de abdome, bilirrubinas totais e frações, atividade e tempo de protrombina são os exames obrigatórios nesses pacientes.

Com os resultados em mãos, minha prática diária encontra uma parcela desses pacientes positivos para hepatites virais.

Os pacientes positivos para Hepatite C são encaminhados ao especialista onde se discutirá o tratamento com Interferon ou Ribavirin.

Não é todo mundo que pode ser tratado. Algumas condições de saúde contra-indicam o uso desses medicamentos.

O tratamento de Hepatite C é lento, demorado e requer dedicação do paciente. Além de controles da situação para o resto da vida, sendo então, uma doença crônica.

Mas o que podemos fazer contra a Hepatite C?

Em primeiro lugar cuidar de não ter comportamentos de risco tais como alcoolismo, uso de drogas ilegais e sexo sem proteção. Pessoas que participam desses grupos de risco devem procurar o médico e informá-lo para que se faça a pesquisa sorológica para Hepatite C independente de alteração de transaminases.

Pessoas que não se encaixam no grupo de risco devem fazer seus exames periódicos anuais, ou conforme orientação médica.

Quanto mais cedo se detecta a Hepatite C, mais chances de retardar seus danos ao fígado.

Estima-se que 3 por cento da população mundial tem Hepatite C e a maioria não sabe disso.

Faça sua parte se cuidando, se protegendo e tendo um diagnóstico precoce.

Neurônio espelho meu, tem alguém melhor do que eu?

Os neurônios espelho ficam localizados no córtex pré-motor e no lobo parietal inferior, mas a maioria de vocês é como eu e não entende nada disso (por mais que eu seja viciado em House, ainda não decorei tudo sobre o corpo humano). Eles agem quando realizamos uma ação ou quando observamos alguém em ação – ensaiamos ou imitamos mentalmente toda ação observada. Essa descoberta, uma das maiores da década, foi feita a partir dos estudos de comportamento do macaco Rhesus.

A Rainha má utilizada o Espelho Mágico, um artefato que só falava a verdade (e não são assim todos os espelhos?), para diariamente conferir se ainda era a mais bela dentre todas as mulheres, até Branca de Neve se tornar uma it girl com dezessete anos e a Rainha, toda recalcada, chorar sangue de tanta raiva a ponto de mandar mata-la.

Neurônio espelho meu

De acordo com Gallese (2005), os neurônios espelho estão relacionados ao aprendizado de novas habilidades e leitura da intenção de outros seres humanos, assim como sua disfunção pode estar ligada ao autismo. Considerando a capacidade que temos de aprendizado, é certo que são importantes para o aprendizado, isto é, influencia a cultura de cada pessoa.

Não sou cientista, mas sou um observador, já li o conto da Branca de Neve e, principalmente, já passei por muitas experiências profissionais, e a relação entre os dois assuntos é o tipo de profissional que você é.

O profissional Rhesus aprende com a observação do que acontece ao seu redor (ou de um superior diretamente relacionado ao seu trabalho), enquanto o profissional Rainha Má isola-se em sua própria magnitude, tendo a si mesmo como referência de aprendizado.
O macaco aprendeu observando, enquanto a Rainha resolveu apenas matar a referência superior a ela. Atitudes como a da Rainha são mais comuns nas empresas do que a do macaco, e quando um perfil Rhesus se destaca, ele automaticamente é reconhecido e admirado por muitos – mas também odiado por alguns.

De certa forma, a Rainha Má odeia o Rhesus.

Infelizmente, é mais comum encontrarmos perfis Rainha Má do que Rhesus: por serem perfis opostos, todo o meio entre os dois classifica-se como um punhado de profissionais imaturos, que contam as horas para almoçar ou o final do expediente e não possuem qualquer impulso em aprender ou sacrificar algo para crescer.

Digo isso com propriedade, eu já tive esse perfil em meu primeiro emprego, durei dois anos e fui demitido, passei para o segundo emprego, onde encontrei excelentes exemplos de profissionais e, na convivência com cada um, cresci e mudei minha postura.
Hoje sou dono de uma das mais notórias agências de apresentação do país, algo que nunca imaginei conquistar, e aprendi que quanto mais se reclama, menos se aprende: trabalho é trabalho, e encontrar prazer nele é um desafio fácil, difícil é enfrentar os problemas de cada dia com a mesma alegria que se recebe as boas notícias.