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Como pintar skate de preto

Sábado vou postar parte do meu diário de quem começou a andar de skate depois dos 20 anos. Gastei R$ 294,00 comprando ótimas peças (sinto no pé quando comparo com amigos que compraram de outras marcas) mas não tinha na cor que eu queria. O que fiz? Já que o skate ia arranhar mesmo, por que não pintá-lo de preto, deixando como sonhava?

Pintar um skate tem menos mistério do que parece, ainda mais pro cara que pintou quase todos os móveis do próprio quarto, tendo de lixar cada um na mão. Falando nisso, vamos aprender sobre lixas? Lixar e pintar é o que você precisa saber pra deixar teu shape (a parte do skate onde você pisa) bonitinho. Olha como era:

Cada lixa é definida pelo número de granulometria, ou seja, o tamanho dos grãos que a compõem para remover camadas de uma superfície. Quanto menor o número da lixa, maior serão os grãos. Por isso é comum usar dois tipos de lixa para dar acabamento perfeito antes da tinta, usando uma de número baixo, para remover a parte grossa de verniz, por exemplo. Depois usa-se um número mais alto para uniformizar os cortes e desníveis causados pela lixa anterior. Simples.
MATERIAIS

1. Compre tinta esmalte sintética, pode ser de latinha ou spray, mas na hora de aplicar as coisas mudam. Se optar pela latinha (que vem mais tinta por quase o mesmo preço), vai precisar de um rolinho e um prato de tinta. Se quiser o spray, só vai precisar da lata e a uniformidade da aplicação é muito melhor, assim como o tempo de secagem fica mais rápido. Vai do gosto de cada um. 
2. Duas ou três lixas de 120
3. Duas ou três lixas de 100

FAÇA VOCÊ MESMO
1. Sem segredos, desmonte o skate (aprenda nesse vídeo como fazer) e posicione a parte a ser pintada do shape pra cima. Comece com a lixa de 100, a grossa, para remover a resina super chata que vem nele. Você vai suar um pouquinho pois essa resina é pra diminuir o número de arranhões no seu shape enquanto anda, é bem resistente. Sempre lixe de uma ponta a outra, jamais de cima pra baixo. Por quê? Pra ficar uniforme. Não lixe em várias direções. Siga o exemplo abaixo:

2. Reparou que a lixa grossa (de 100) marcou bastante o shape? Agora é só acertar isso com a lixa de 120. Se quiser ainda mais uniformidade, pode usar um número mais alto depois. 
3. Se for usar o rolinho, dê a primeira demão e espere entre 15 e 30 minutos até dar a segunda. Dê quantas demãos forem necessárias. No spray, entre 3, 5 ou 8 minutos você pode aplicar uma demão, sendo que a primeira precisa ser beeeem de leve, quase que invisível, para criar uma superfície em que a tinta cole tranquilamente. 
4. Espere secar entre 12 e 24 horas (se pintou de spray) ou entre 24 e 48 horas (se pintou de rolinho), monte tudo de novo (só rever aquele vídeo de cima) e, BANG, tá pronto!
E fica foda demais!

Amo a cor preta e minha vontade maior, apesar de meu shape ser bonitinho e colorido, era ter um skate todo dessa cor. Tive de pintar o truck também, aquele suporte de ferro que segura as rodinhas, sabe? O processo de lixamento é o mesmo, só que pelo formato é bem chato fazer um trabalho bem feito. Dá pra pintar com rolinho? Dá. Mas com spray é o dobro de facilidade.

Estilo Xamânico ou Native

O estilo “native” (expressão vinda de como os gringos chamavam os índios nativos dos Estados Unidos) ou xamânico é caracterizado pelo uso de formas geométricas, representações de animais e símbolos que representam forças da natureza e todos os seus ciclos. Nesse post falarei de como isso se aplica na moda, na decoração e no estilo de viver. Vem que a viagem é psicodélica.
Antes de mais nada, não adianta se encher do grafismo desse estilo se em sua vida você não tem o menor respeito pela natureza. Entender que as forças dela são maiores que as dos homens e que todos os seres vivos que compartilham a Terra se unem por teias invisíveis, é personificar nesse estilo uma verdade.
Não precisa se tornar xamã, mas acredito que se você se encher de coisas do tipo e jogar latinha de refrigerante pela janela do carro ou chutar seu cachorrinho só vai te transformar num poser. E não tem nada pior do que um poser, que é uma pessoa que diz ser algo pra impressionar as pessoas quando, na verdade, é outra, muito mais patética. 
O ESTILO DE VIDA
Xamãs são identificados por seus conhecimentos de cura, dos processos naturais e, principalmente, por seus poderes de pegar “emprestado” as capacidades dos filhos da natureza, entre eles animais e eventos climáticos. Muitas vertentes de “bruxaria moderna” se aproveitam da veia xamânica pra acessar energias selvagens das quais nós, habitantes de cidades, perdemos com o passar dos séculos.

Independente do lado místico acerca dessa figura, o xamã é um grande sábio, um índio que por tradução literal “enxerga no escuro”. É uma pessoa que se enxerga como parte de um ciclo gigantesco onde toda ação gera reação. Sendo assim, é muito cuidadoso e reflexivo antes de tomar qualquer atitude. 
NA MODA
O estilo native american se assemelha muito com o estilo hippie, com peças leves e com cara de “gente que ama a paz”, diferenciado por estampas geométricas e tribais em tons de coloridos sóbrios ou de diferentes tons de marrom. Bolsas de couro (sintético, por favor) com babadinhos sobrepostos, sandálias, headbands de palha e muitas, muitas penas! Isso sem falar nas estampas de corujas, lobos, veados, búfalos, águias, ursos e blá, blá, blá! Casa bem pra quem curte uma pegada mais rocker também.

Outro acessório que não chega a montar um look pra andar na rua, mas que fica muito legal numa social com essa temática (vou dar dicas pra uma festa desse tipo depois que ensinar como fazer uma tenda) é o cocar, ou o indian headdress. É difícil de achar pronto, sai caro e geralmente colocam na parede pra decorar. Existem variações de cocares pra cada região, mas a dita nesse post segue o estilo “clássico” mostrado abaixo:

NA DECORAÇÃO
Apanhadores de sonhos, imagens de lobos, crânios de animais que morreram de forma natural, cangas penduradas no teto, móveis em madeira rústica, totens com a mesma proposta de uma carranca brasileira (pra afastar maus espíritos) e, meu objeto favorito e sonho de consumo, uma tee pee, a famosa tenda indígena afunilada pra cima.

TATUAGENS
Uma observação importante é que o estilo gráfico asteca se confunde bastante com as geometrias xamânicas. Por isso, garimpe lojas de vendedores chilenos, sempre tem coisa legal pra decorar ou vestir, incluindo bolsas geralmente num bom preço, pois são produtos artesanais (até baratos, se quer saber).
Aqui deixo tatuagens pra apresentar esses estilos gráficos muito semelhantes, que casam muito bem.

Domingo vou postar uma trilha sonora inspiradora, pra que você entre nesse universo de cabeça. Independente de gostar ou não do estilo, seria legal praticar a filosofia do respeito, então comece respeitando o espaço em que você vive: nada de lixo na rua, nada de crueldade com os outros! 
Toda ação gera reação. Tudo que você faz, volta pra você.

Somos viciados em dramas?

Quando as coisas estão difíceis, a gente reza para que tenha alguém acima das nuvens pra livrar nossos caminhos de pedras, pedimos milagres e simplificações pra facilitar a vida. Só que quando temos tudo na mão, sem um problema sequer, reclamamos da falta de adrenalina, do tédio. Por que não podemos aceitar o que vier como desafios e menos como roteiros de filmes?

Suspeitamos do que vem fácil porque o ditado sempre disse que quando vêm desse jeito, costumam ir embora facilmente também. Será que é daí que vem o costume de querer complicar tudo pra termos a sensação de que valeu a pena o sacrifício, alguns litros de lágrimas e a quase destruição de nosso emocional — e paciência de quem nos cerca?

Sempre fui a drama queen dos amigos. Se chamavam pra balada, reclamava do porquê de não quererem passar a noite de sábado comigo sabendo que eu não aceitaria sair. Se não chamavam, ficava puto internamente por não terem cogitado minha participação na noite de sodomia. “Você não ia querer”, respondiam eles. Verdade. Provavelmente ficaria em casa. Mas não é educado apenas perguntar?
Motivos para gerar dramas variam de não deixarem a última bala do pacote ou o relacionamento onde tudo acontece sem complicações. Em casa a gente vê isso: quando os pais são liberais, reclamamos de não se importarem conosco, filhos. Quando são protetores, reclamamos da falta de liberdade, batemos o pé, fazemos bico e achamos que ouvir System of a Down vai resolver alguma coisa.
Ou simplesmente irritar a vizinhança inteira.

Aí entra a parte do vício e/ou costume de querer o mundo mais difícil, talvez pra buscar a boa sensação de um suspiro de alívio depois de um monte de tormento. Uma desculpa para nos fazermos achar que merecemos o sorriso, já que sofremos tanto. É nosso complexo de novela mexicana, de que depois de tanto sofrer — mesmo que produzido por nós mesmos — merecemos recompensas.
Quando encontramos alguém que diz que ama, que liga perguntando como estamos e que adora e é adorado pelos amigos, procuramos alguma coisa pra reclamar: quilinhos a mais ou, a menos, academia demais, pouca inteligência ou muito mais esperteza, por pagar toda a conta da lanchonete ou por levar pra faculdade de carro todos os dias. Aí caímos fora por medo do tédio.

Quando é alguém que não fala que ama ou prefere sair com várias pessoas ao mesmo tempo, reclamamos da falta de carinho, por não abraçar o suficiente, por não ligar tantas vezes quanto deveria e blá, blá, blá, blá, blá. E ficamos presos nesse relacionamento até arrancar pedaço, até quase morrermos de hemorragia de autorrespeito. Só então prometemos: “vou arranjar quem me ame de verdade”
E fazemos tudo de novo.

Dramas podem ser saudáveis numa briguinha aqui e ali pra nos darmos conta do valor da paz, assim como a tristeza nos mostra como é muito melhor sermos felizes. A mistura ruim fica por conta do drama + autossabotagem, quando a gente tem problema com nós mesmos e construímos desculpas para deitar na cama e esperar um messias.
Vai, pode admitir: sem drama, a vida não fica com cara de série de TV. E se não parece com série de TV, achamos que a vida está errada, que não é real. É aí que podemos morrer esperando o roteiro que nunca vai chegar na caixinha do correio.

1º de abril: dia da mentira ou verdades?

Não que seja ranzinza ou mal-humorado (apesar de ser os dois de forma crônica), mas aguentar mentirinhas de 1º de abril é pra quem tem sangue forte. O que gosto nessa data sem motivo de existir além das baboseiras culturais que tentam explicá-la, é como usam mentiras pra falar verdades e, quando o resultado não é esperado, tornam as verdades puras mentiras. Confundiu?

Ano passado, um “amigo” veio se declarar pra mim via Facebook. Amigo hétero, diga-se de passagem. Falou que não conseguia viver sem minha amizade, que era muito importante e que tinha muita curiosidade de me beijar, que se fosse fazer isso com um cara, gostaria que eu fosse o primeiro. Quando terminou, perguntou o que eu achava daquilo, se ele tinha chance.

Por que eu diria “não” pra um cara lindo e que se declarou numa bíblia quase escorrendo caracteres por falta de espaço da tela da inbox? Disse que sim, que tinha chances, que sempre o achei atraente, mas que entendia sua orientação sexual e que respeitaria nossa amizade acima de qualquer coisa. E, claro, disse que me sentiria muito honrado em tirar o BVM (Boca Virgem Masculina) dele. 
Óbvio.
Do mesmo tamanho que veio a mensagem inicial do moleque, veio a quantidade de “KKKKKKKKK” logo depois de eu ter teclado enviar. “TÔ BRINCANDO”, exclamou ele com o Caps Lock ligado, “É 1º DE ABRIL! KKKKKKKK”. Deus, como sou grato por termos evoluído dos neandertais parar podermos criar o monitor, porque aqui na minha cadeira, eu tava com a cara mais no chão do que a Jennifer Lawrence no Oscar.

Como pude esquecer?! Era 1º de abril, poxa! Por que diabos essas pessoas faziam isso, de inventar mentiras apenas pra nos deixar desconfortáveis a níveis como esse?! Já não bastavam as mentiras que tínhamos de enfrentar (e até criar) no dia-a-dia? 
Me veio à mente que talvez fosse uma forma de aliviar uma verdade. No caso dele, não seria possível que o texto gigantesco fosse um “desabafo oficial não-oficial” sobre como se sentia em relação a mim, uma paixonite proibida? Porque o texto foi grande e bem sincero! Até ele desmentir… Tendo o poder de falar a verdade através de uma mentira apenas pra tirar o peso das costas e depois cobrir com outra mentira que anularia qualquer verdade, o 1º de abril se tornaria então O Dia das Verdades?
Pode ser, não tenho certeza. O que sei é que quiquei meus dedos no teclado ― com mais violência do que geralmente tenho quando o espanco ― e mandei um “KKKKKKKKKK EU TAMBÉM TE ZOEI, BURRO! FELIZ 1º DE ABRIL! KKKKKK”
Assim, mascarei minha verdade com uma mentira.
Te desejo muita paciência nesse “feliz dia 1º de abril”.

Informações sobre Hepatite C

Eu trabalho como única clínica geral na UBS de minha cidade fazendo ambulatório diário. A cidade tem por volta de 6 mil habitantes e praticamente todos são meus pacientes.

Meu dia a dia é tratar doenças ocasionais e principalmente fazer pesquisas e diagnósticos periódicos dessa população.

Dependendo da idade do paciente, esses check ups podem ser anuais, semestrais ou bienais.

As pessoas me procuram para “dar uma geral” e podem ou não ter sintomas. A maioria não se queixa de nada mas quer “fazer os exames”.

Também dependendo da idade, eu peço uma bateria de exames que vai aumentando conforme o paciente vai envelhecendo.

Meus pacientes têm de 14 a 93 anos e todos eles se submetem à uma dosagem de transaminases do fígado além de outros exames.

De acordo com recomendações de Junho de 2010, a pesquisa de sorologia para o vírus da Hepatite C deve ser feita primariamente em pacientes de risco, ou seja, alcóolatras, usuários de drogas, pacientes transfundidos e pessoas com comportamento de risco inclusive sexual.

As transaminases hepáticas – TGO e TGP – mostram se o fígado está sofrendo algum processo inflamatório, agudo ou crônico. E é através delas que eu descubro, em pacientes assintomáticos, se há algum problema hepático que necessita avaliação mais profunda.

Transaminases alteradas, mesmo que por pouco, levam à pesquisa da causa de tal elevação.

Sorologia para Hepatite A, B e C, ultrassom de abdome, bilirrubinas totais e frações, atividade e tempo de protrombina são os exames obrigatórios nesses pacientes.

Com os resultados em mãos, minha prática diária encontra uma parcela desses pacientes positivos para hepatites virais.

Os pacientes positivos para Hepatite C são encaminhados ao especialista onde se discutirá o tratamento com Interferon ou Ribavirin.

Não é todo mundo que pode ser tratado. Algumas condições de saúde contra-indicam o uso desses medicamentos.

O tratamento de Hepatite C é lento, demorado e requer dedicação do paciente. Além de controles da situação para o resto da vida, sendo então, uma doença crônica.

Mas o que podemos fazer contra a Hepatite C?

Em primeiro lugar cuidar de não ter comportamentos de risco tais como alcoolismo, uso de drogas ilegais e sexo sem proteção. Pessoas que participam desses grupos de risco devem procurar o médico e informá-lo para que se faça a pesquisa sorológica para Hepatite C independente de alteração de transaminases.

Pessoas que não se encaixam no grupo de risco devem fazer seus exames periódicos anuais, ou conforme orientação médica.

Quanto mais cedo se detecta a Hepatite C, mais chances de retardar seus danos ao fígado.

Estima-se que 3 por cento da população mundial tem Hepatite C e a maioria não sabe disso.

Faça sua parte se cuidando, se protegendo e tendo um diagnóstico precoce.

Neurônio espelho meu, tem alguém melhor do que eu?

Os neurônios espelho ficam localizados no córtex pré-motor e no lobo parietal inferior, mas a maioria de vocês é como eu e não entende nada disso (por mais que eu seja viciado em House, ainda não decorei tudo sobre o corpo humano). Eles agem quando realizamos uma ação ou quando observamos alguém em ação – ensaiamos ou imitamos mentalmente toda ação observada. Essa descoberta, uma das maiores da década, foi feita a partir dos estudos de comportamento do macaco Rhesus.

A Rainha má utilizada o Espelho Mágico, um artefato que só falava a verdade (e não são assim todos os espelhos?), para diariamente conferir se ainda era a mais bela dentre todas as mulheres, até Branca de Neve se tornar uma it girl com dezessete anos e a Rainha, toda recalcada, chorar sangue de tanta raiva a ponto de mandar mata-la.

Neurônio espelho meu

De acordo com Gallese (2005), os neurônios espelho estão relacionados ao aprendizado de novas habilidades e leitura da intenção de outros seres humanos, assim como sua disfunção pode estar ligada ao autismo. Considerando a capacidade que temos de aprendizado, é certo que são importantes para o aprendizado, isto é, influencia a cultura de cada pessoa.

Não sou cientista, mas sou um observador, já li o conto da Branca de Neve e, principalmente, já passei por muitas experiências profissionais, e a relação entre os dois assuntos é o tipo de profissional que você é.

O profissional Rhesus aprende com a observação do que acontece ao seu redor (ou de um superior diretamente relacionado ao seu trabalho), enquanto o profissional Rainha Má isola-se em sua própria magnitude, tendo a si mesmo como referência de aprendizado.
O macaco aprendeu observando, enquanto a Rainha resolveu apenas matar a referência superior a ela. Atitudes como a da Rainha são mais comuns nas empresas do que a do macaco, e quando um perfil Rhesus se destaca, ele automaticamente é reconhecido e admirado por muitos – mas também odiado por alguns.

De certa forma, a Rainha Má odeia o Rhesus.

Infelizmente, é mais comum encontrarmos perfis Rainha Má do que Rhesus: por serem perfis opostos, todo o meio entre os dois classifica-se como um punhado de profissionais imaturos, que contam as horas para almoçar ou o final do expediente e não possuem qualquer impulso em aprender ou sacrificar algo para crescer.

Digo isso com propriedade, eu já tive esse perfil em meu primeiro emprego, durei dois anos e fui demitido, passei para o segundo emprego, onde encontrei excelentes exemplos de profissionais e, na convivência com cada um, cresci e mudei minha postura.
Hoje sou dono de uma das mais notórias agências de apresentação do país, algo que nunca imaginei conquistar, e aprendi que quanto mais se reclama, menos se aprende: trabalho é trabalho, e encontrar prazer nele é um desafio fácil, difícil é enfrentar os problemas de cada dia com a mesma alegria que se recebe as boas notícias.

Tirando o cliente do hospício

Quem passou por todas as experiências envolvendo a contratação de um serviço certamente entenderá minhas palavras: parem de categorizar os clientes como loucos apenas porque eles não gostaram do resultado.

Já tive a visão de estagiário, designer, assistente de arte, diretor de arte, coordenador e, hoje, tenho a visão de dono de empresa, que tanto atendo clientes quanto também eu contrato fornecedores para desenvolverem projetos que fogem da área de atuação da minha agência. Portanto, tenho cacife para falar do assunto.

Cada vez que um cliente emite uma opinião contraria a minha (empresa), procuramos entender a razão para, assim, ajustarmos nosso trabalho, aperfeiçoar o processo, alinhar cada funcionário com o feedback para que os próximos trabalhos, sendo para o mesmo cliente ou não, sejam sempre melhores que os anteriores. E garanto: a maioria dos clientes não é louca.

O que diferencia um cliente louco de um normal é o atendimento prestado pela empresa, a forma de se relacionar para, sinceramente, entender o que o cliente precisa e espera do trabalho que ele está contratando. Muitas agências se limitam a falar apenas ao telefone ou e-mail, usam um sistema de briefing quadrado e técnico que não permitem qualquer profundidade no projeto, e certamente o trabalho não atingirá o mesmo resultado que poderia se a preocupação fosse além de pegar informações, mas principalmente entender o perfil de quem contrata.

Pela demanda de trabalho, é mais fácil padronizar um processo para conseguir atender o máximo de pedidos possível do que investir tempo de acompanhar cada projeto, mesmo que esta decisão lhe faça atender menos clientes: quantidade ou qualidade?

Em toda minha carreira presenciei diversos perfis de profissionais e diversas formas de se reclamar do pedido de um cliente, às vezes a raiva era tanta no ambiente que se o cliente entrasse pela porta e perguntasse aonde era o banheiro já resmungavam “puta merda, o cara enche o saco e ainda quer cagar no banheiro que eu uso…”.

Calma.

Aqui na agência toda apresentação é um projeto novo, e aprendemos a entender que cada empresa possui vários clientes dentro: cada pessoa que ali trabalha é um cliente.

Repare: sempre que dá problema em um trabalho, as pessoas falam mal da empresa, e não da pessoa que a está representando no ato de contratar o trabalho. Em uma mesma empresa você pode fazer trabalho para uma pessoa calma, outra que seja desesperada, ou aquela pessoa que some e aparece somente dois dias antes da entrega final. Dica: não olhe para o cliente como uma força abstrata e pragmática que contrata as empresas, mas sim que quem está contratando é uma pessoa que representa uma companhia.

Além de diversas experiências que passei em toda a minha carreira, teve uma palestra que me fez abrir os olhos para muitos detalhes a respeito do relacionamento com o cliente: Mike Monteiro fala com maestria sobre o assunto no evento Creative Mornings San Francisco.

2011/03 Mike Monteiro | F*ck You. Pay Me. from San Francisco Creative Mornings on Vimeo.

É fácil colocar a culpa no cliente, principalmente quando os frustrados artisticamente se sentem ofendidos quando seu trabalho é reprovado. Lendo um livro sobre sintaxe da comunicação visual encontrei uma interessante diferenciação entre os trabalhos criativos: belas artes é pessoal, a expressão do artista sem qualquer compromisso profissional (isto é, de contratação) e artes belas é o trabalho no campo artístico desenvolvido com compromisso profissional, para expressar o que lhe é pedido.

Ou seja, tem muito designer sentindo dores de artista. Sim, você é um artista, mas você trabalha em uma empresa para prestar serviços aos contratantes, você é pago para fazer o trabalho que lhe é pedido. Conciliar sua visão com a expectativa do cliente é a chave da negociação, que só acontece por meio de relacionamento, que não é ligar ou trocar e-mail com informações técnicas, mas sim uma aproximação pessoal para compreender aquele projeto com a mesma visão do cliente.

Não estou sendo pejorativo com os criativos, mas quero abrir os olhos: se um cliente não gosta do resultado, ele tem toda liberdade para isso e para pedir mudanças, afinal, é ele quem está contratando a empresa que você trabalha. Não podemos ter a soberba de querer sempre empurrar goela abaixo do cliente algo que nós gostamos, existe um abismo considerável entre nossa visão e a expectativa pessoal do cliente (este, representado por uma pessoa, que nem sempre interpreta os reais valores da empresa onde trabalha).

Isso vale para qualquer área, os profissionais precisam ter mais maturidade em lidar com as broncas de cada dia e aprender que o respeito deve prevalecer. Um outro exemplo (desta vez nacional) foi a palestra com Ian Black, Martha Gabriel e Eric Messa que tive o prazer de assistir no Desencontro 2012: lá tive mais um reforço de minha teoria quando o Ian falou sobre a experiência que ele tem com seus clientes em sua empresa, ressaltando o quão gratificante e bacana é trabalhar para eles.

Claro que existem casos à parte que, depois de passada a tormenta, geram ótimas histórias, risadas, cases de (in) sucesso e exemplos de personalidade a serem evitadas em um próximo projeto, mas ainda assim o hospício das reclamações certamente está mais cheio de profissionais imaturos do que clientes que perdem a linha.

O Macbook, o iPad e o iPhone

Para mim, o uso de computadores se divide em duas Eras: a Era Pré-WiFi e a Era do WiFi.

Antes do WiFi, usar o computador era algo estático, por isso a maioria das pessoas tinha um desktop num lugar especial da casa e provavelmente outro no trabalho. A interação com o computador tinha hora certa, lugar certo.

Macbook

Depois do WiFi, qualquer lugar da casa era lugar de computador, justificando então uma máquina portátil, o notebook.

Filmes na cama, trabalho na mesa do café da manhã, navegar na internet na sala vendo televisão. Até no banheiro.

Há quase 3 anos eu comprei meu Macbook. E a forma de eu interagir com um computador mudou pela incrível interface dele. Literalmente eu passei a carregá-lo a todo lugar da casa que eu ia, até na varanda. E passei a usar tudo que ele oferecia. Ele pesa um quilo e pouco e o seguro com uma mão. Já me acostumei com a tela de 13 polegadas e acho totalmente satisfatória e suficiente para eu ver filmes e faço meus trabalhos como nunca fiz. Até atendo pacientes nele no meu consultório aqui em casa.

Eu o levei algumas vezes para o trabalho no posto pois ele tem uma enorme biblioteca médica além do acesso aos sites médicos que eu frequento. Não deu certo. Mesmo pesando pouco, era pesado para carregar até o trabalho e lá não tinha WiFi, apenas o Edge da Vivo que deixava tudo lento e impraticável. Também ele ocupava um espaço que eu não tinha na minha mesa já que eu trabalho com um desktop lá, numa intranet.

Dai, em maio desse ano, veio o iPhone e todo meu atendimento médico mudou de uma forma que nunca poderia imaginar. Os aplicativos offline dele e a facilidade de entrar na internet, mesmo no Edge, disponibilizaram informações precisas, atuais e imediatas. Eu posso trabalhar perfeitamente só com o iPhone me dando cobertura. O problema do iPhone é que ele é muito pequeno para se trabalhar colocando dados nele. Eu podia acompanhar minha timeline nele sem problemas mas pensava duas vezes se iria escrever algo. Confesso que nunca vi nenhum filme no iPhone. A tela é pequena para isso na minha opinião. Só escutei músicas nele uma vez. Prefiro meu iPod Classic que tem efetivamente toda minha biblioteca musical. Assim, eu usava o iPhone como , pasmem, telefone e consultas de material médico.

A história podia acabar por aqui e eu ainda viveria feliz para sempre com os dois. Porém, tive uma oportunidade de ter um iPad.

Eu não estava sedenta por um iPad nem via necessidade de um. Mas…

Há cerca de uma semana o iPad chegou.

Minha sensação é que ele é um iPhonão sem ser telefone.

Meu atendimento médico continuou exatamente igual com ele. Inclusive, hoje dei uma saída para um cigarro e estudar um caso e esqueci o iPad, fui só com o iPhone e estudei o caso normalmente. No meu caso, todos os aplicativos médicos do iPhone funcionam no iPad e vive versa.

O iPad cabe na minha bolsa gigantesca. E o carrego com muita facilidade sendo perfeito para levar para qualquer lugar.

Tentei ver filmes nele na cama, como faço toda noite e a imagem é linda, mas tenho que ficar de pernas dobradas para apoiá-lo. Então, voltei para o Macbook.

Tentei trabalhar com ele na mesa da cozinha, como faço todas as manhãs mas a posição dele faz doer meu pescoço. Eu já encomendei uma capa com apoio lá no Dealextreme e assim que chegar acho que esse pequeno incomodo vai ser resolvido.

Pontos positivos do iPad? Ele é maravilhosamente lindo. Uma peça incrível de tecnologia e eu sei com certeza ainda não estou totalmente familiarizada com todas as possibilidades e sua inovadora interface.

Tudo num iPad é lindo.

Lindo mesmo.

Acredito que eu ainda nem arranhei a superfície de coisas legais dele.

Eu sei que não é um iPhonão. Sei que a culpa de não aproveitá-lo totalmente é minha e sei que é só uma questão de tempo.

Eu vejo o Cardoso com o iPad dele e parece que ele está usando outro aparelho que eu. Impressionante.

Se eu recomendo o iPad?

Um grande SIM! O iPad supre todas as deficiências do iPhone. E o iPhone volta a ser um telefone. Um telefone maravilhoso.

E o Macbook? Continua sendo meu queridinho e centro nervoso de minha vida digital.

Pensamento mágico empreendedor

Lembra daquela sensação forte que temos quando estamos muito alegres, de que podemos mudar muitas coisas em nós mesmos e no mundo em que vivemos? Esse é o estado de espírito que gera a fagulha do pensamento mágico empreendedor que move o mundo.

Costumo dizer que o empreendedor deve ter peito de aço para ser capaz de manter esse pensamento mágico vivo em si diante de diferentes níveis de agruras e adversidades, sem perder o intento em seu objetivo maior. Ir além do “sim” e do “não” e do “agora não posso pois estou ocupado”, sabendo que não há nada mais importante e vital para se ocupar. Ir além do sucesso e do fracasso, da fama e da corrida insana pelos resultados e pelo dinheiro. O empreendedor criativo deve simplesmente ter um objetivo maior para poder suportar e se destacar em seu meio.

Esse objetivo maior deve estar ligado à sua ideia de mundo e sua visão de melhoria a médio e longo prazo. A gana em ganhar muito dinheiro poderá movê-lo por um bom tempo e poderá leva-lo a bons lugares, mas a força interna que surge de um legítimo objetivo será seu único guia para tomar  as decisões mais importantes e saber qual é o caminho mais inteligente e principalmente para ter coragem e certeza que de ter muito, mas muuuito mais possibilidades do que seus possíveis competidores, sejam elas StartUps ou Mega Corporações. O empreendedor criativo ganha ímpeto e força ilimitada apenas com seu trabalho e sua convicção.

Não quero ser romântico nem idealizar a imagem de um super herói dos negócios, pessoas que transcendem sua realidade. Sabemos que nada disso existe e que todos esses prodígios são realizados por pessoas comuns que resolvem aventurar-se em novíssimas frentes por sentirem-se insatisfeitas com o cenário atual e acreditarem que podem e devem, mantendo acesa em si a chama do novo, seguindo com bravura a estrada do pensamento mágico.

Mas afinal, em que consiste esse tal pensamento mágico empreendedor? Trata-se justamente de fazer tudo o que a sociedade menos valoriza: ser livre. Liberar a própria mente para o fluxo de ideias e insights que o universo nos proporciona em abundância, mas que estamos fritando as pestanas demais na frente do computador para captá-las. Significa seguir com responsabilidade nossos instintos infantis na forma de brincar com realidades e conceitos, o  brincar despreocupado e criativo com as possibilidades e realidades, libertando-se de  barreiras culturais e impedimentos lógicos.

aprenda aqui oportunidade de trabalhar em casa

Não somos mais crianças, pois temos uma bagagem cultural e social intensa que adquirimos por imitação dos demais. Isso não quer dizer que perdemos totalmente nosso pensamento mágico e brincante, podemos sim recuperar essa fundamental ferramenta para a evolução de  nós outros e  para o avanço como humanidade. Somos tão sensacionais como humanos que podemos estudar demais um assunto pesquisando profundamente e depois largarmos de lado toda aquela informação. Nosso cérebro é maravilhosamente preparado para processar e criar novas conexões com todo esse conhecimento e, acredite,  essa máquina neural é tão sofisticada que pode processar sozinha esses conteúdos e gerar novas ideias de excelência. Sem grande esforço, para percebermos essas ideias é preciso nos libertarmos do condicionamento de nossa mente consciente, muitas vezes isso acontece em um momento de distração ou de descontração. Essa é a origem das grandes ideias, caem em nosso colo constantemente como sinais prontas para serem vividas e alimentadas.

Esses grandes insights e ideias inovadoras não surgem “do nada”, elas advém  justamente de nosso poder intenso de processamento revelada em nosso ócio criativo. É bem verdade que nosso cotidiano é repleto de pressões externas que influem e matam esse fluxo, revelando-se em forma de acontecimentos, afazeres intermináveis, preocupações e responsabilidades, capazes de travar ou inutilizar esse poder abstrato. Abafamos ainda por livre e espontânea vontade o que nos é mais valioso, para depois culparmos a sociedade (da qual somos sócios) e à cultura atual. Simplesmente somos nós os verdadeiros culpados por aceitarmos essa quebra do fluxo do pensamento mágico, assim como somos também os responsáveis únicos em recuperar este poder miraculoso.

Mais importante que o pensamento mágico é sem dúvida nenhuma colocá-lo em prática, o FAZER. É justamente esse fator que difere o empreendedor dos viajantes cheios de ideias intangíveis à realidade. Mirabolantes e com enorme potencial, todos nós temos ideias advindas do pensamento mágico empreendedor pelo menos uma vez em nossas vidas e não raro tem muita relação com nossos objetivos mais enraízados, pessoais e as vezes até espirituais. Mas vincular a iniciativa com a persistência e acabativa é o que traz o resultado e toda a diferença, que e as vezes nos falta e que diferencia por completo um fluxo de IDEIAS  criativas do fluxo de REALIDADES alternativas.

Nessa questão milhares de projetos que poderiam trazer contribuições, tanto pessoais como comunitárias, morrem no lodo da inação, descrença e desânimo Por isso o maior desafio do empreendedor da economia criativa é justamente acreditar em suas abstrações a ponto de banca-las em seu presente, simplificando sua execução e arregaçando as mangas para fazer de seus sonhos, realidade.  Quando temos ideias sensacionais e verdadeiras e não as realizamos criamos em nós um grande vácuo existencial, mas mesmo o fato de guardá-las a sete chaves para nós mesmos não irá impedir com que outras pessoas às percebam e às realizem. É incrível, mas em pouco tempo outra pessoa acaba tendo essa mesma ideia a realizando-a, deixando-nos pasmos, desconfiados e até mesmo nos sentindo roubados.  É como se as ideias estivessem pairassem no ar, prontas para quem tiver o pensamento mágico captá-las e  garra para realiza-las. Nada mais justo.

Ainda mais importante no processo de concepção de uma hipótese de mercado será a vivência efetiva dessa ideias na prática mercadológica. Da validação das propostas com clientes reais, potenciais usuários e beneficiários surgirão os principais conselhos, críticas e principalmente os caminhos a serem percorridos para dar continuidade e fluidez ao processo de criação, sendo ao mesmo tempo prova de fogo do pensamento mágico empreendedor inicial e alicerce para seu desenvolvimento primordial como negócio, com resultados tangíveis e previamente validados quanto utilidade, escalabilidade e lucratividade expressiva.

Antes de ver uma televisão funcionando ninguém e sã consciência poderia imaginar que um objeto poderia transcender o mundo físico naquele nível, levando ao ar acontecimentos e situações, imagens, sons de diversos lugares distintos passando de forma mágica e instantânea.  Apenas um projeto executivo, documentações ou desenhos técnicos não seriam capazes de convencer as pessoas, mas o fato de haver uma televisão funcionando é inquestionável e real, ela existe. Daí a impressão cotidiana que aquele objeto sempre existiu e esteve ali, como se fosse uma inspiração dos Deuses realizada pelos humanos. Podemos dizer que a sensação procede, mas na verdade para aquele objeto estar ali disponível para nosso uso, foi preciso que alguém realizasse o pensamento mágico empreendedor, para trazer aquela invenção do mundo abstrato das ideias para o mundo real, físico, tátil e simbólico.

É muito natural e até bom que as pessoas estranhem quando acreditamos, bancamos e realizamos nosso pensamento mágico empreendedor com firmeza levando isso em nossas vidas até as últimas consequências. Em geral perdemos nossos referenciais sobre esse maravilhoso processo pois estamos presos no conforto e nas facilidades das soluções simples dos outros, que podem ser sensacionais mas nos deixaram paralíticos ou robotizados frente à nossa verdadeira essência. No fundo sabemos que não estamos distantes o bastante desse pensamento pois somos capazes de detectar essa linha de pensamento nos objetos, nas realizações alheias mas principalmente em nossas próprias ideias sensacionais. Reconhecemos essa riqueza mas ainda assim insistimos em cortar o fluxo em nós mesmos, talvez por uma longa preguiça existencial. Isso nos causa grande pressão, digna de um Big Bang , e daquele grande descontentamento e sensação de impotência perante ao mundo,  começam a surgir faíscas que acabam por causar a grande explosão do pensamento mágico empreendedor. Isso pode acontecer com pessoas que vivem uma vida de estabilidade e regalias com cargos de respeito, igualmente com pessoas desempregadas e sem uma atividade profissional definida. Deriva mais comumente de um ímpeto pessoal e íntimo das pessoas para com a sociedade e imdependem de classe ou personas sociais.

Não importa se dentro de uma empresa, criando um novo negócio ou StartUp ou realizando um grande sonho que exigirá  mudança brusca. Manter nosso pensamento mágico empreendedor é o caminho para encontrarmos sentido, sabermos de fato quem somos identificado àquilo que fazemos. É como acordar do sono profundo de conformismo, renascendo para uma realização pessoal intransferível.

Para isso é preciso muita coragem e persistência, pois o dia-a-dia é real e traz problemas e questões que nos testarão das formas mais extremas e variadas em seus pontos fracos e vulnerabilidades que por vezes abafam o fogo de palha inicial. Desafios e impedimentos agem como filtros de resistência para as grandes ideias e são como pequenas agulhas que insistem em nos perfurar e que com o tempo aprendemos a trabalhar, chegando ao ponto ideal de tirar forças das adversidades desse jogo de acupuntura. Nessa hora fica mais nítida a importância e o valor da força dos nossos sonhos, pois será precioso que sejam esse impulsos íntimos, elevados, relevantes e reais o bastante para você.

Para realizar o pensamento mágico empreendedor e ter sucesso nesse empreendimento criativo, mais importante ainda que dinheiro ou o tão valorizado e ilusório “sucesso”, o empreendedor criativo se valerá de seu ímpeto criativo e terá como base seu ideal sonhador inicial, desenvolvido pelos clientes em proposta de valor conveniente e inovadora. É a realização não apenas de desejos e anseios pessoais, pois reflete o pensamento mágico de toda uma geração dando-lhe forma, cor, função e existência.
Mais que um negócio próspero, é um legado de inteligência e percepção humana a serviço de seus iguais.

Legado Oscar Niemeyer: As curvas empreendedoras

A gente nunca imagina que vai ver certas coisas acontecerem. Mas a vida é implacável. Curta e dura – como diria Oscar Niemeyer, que morreu dia 05/12, aos incríveis 104 anos de genialidade, criatividade e empreendedorismo.

Empreendedorismo?

Sim. Taí um cara que empreendeu a vida toda. Iniciando, aprendendo, ousando, errando e acertando. E por isso e por como sucedeu-se seu processo, podemos falar que ele é um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Muitas vezes as pessoas acham que empreender é montar um negócio, fazer umas vendas, valorizar “o passe”, vender o negócio ou sustentá-lo por anos e perecer – o que é a única certeza deste processo tortuoso e divertido que chamamos de vida – com algum dinheiro no bolso para nossas despesas e de possíveis herdeiros.

Vou chamar o Niemeyer para nos ajudar a, de uma vez por todas, mudar esta perspectiva. E ele vai nos ajudar bater uma tecla que eu disse no meu primeiro post aqui no blog.

Legado Oscar Niemeyer

Vamos nessa?

Niemeyer teve uma vida boêmia em plena Belle Époque carioca, rodeado por mulheres e pelo efervecente cenário do samba carioca na década de 20. Isso vai influenciá-lo anos mais tarde, mas aguardem algumas linhas para isso… rs.

Traço de Niemeyer ao descrever sua primeira residência, no bairro das Laranjeiras (RJ).

Ele começa a trilhar sua trajetória em 1929 ao entrar para a Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro (dirigida por Lúcio Costa e influenciada claramente pelo pensamento e artistas modernistas vindos de São Paulo) , saindo dela formado em Arquitetura e Engenharia. Idealista e comunista – feitos que vão perpetrar sua trajetória – sente-se incomodado com o desenho vigente da arquitetura local. Vê no escritório do diretor da faculdade a oportunidade de experimentar as novas perspectivas em mente e aceita trabalhar de graça, mesmo passando dificuldades financeiras.

Niemeyer e Costa: uma relação de aluno-diretor e chefe nos tempos de faculdade e escritório no RJ que subiu à alcunha de parceiros na construção de Brasília.

Pausa: O que isso tem a ver com o mundo empreendedor? TUDO!

Vejam só: ele tinha uma visão clara do que queria, talvez ainda sem uma missão, mas ele sabia o que queria. E seu ideal ia muito além de ganhar dinheiro. Se este fosse o caso, iria explorar o mercado vigente neocolonial ou o art déco… Foi atrás da sua visão, mesmo sabendo que a curva de ganhos poderia ser árdua.

Play: Continuando.

Os anos se passam e nota-se mais um elemento que influencia a trajetória de Niemeyer: Le Courbusier, arquiteto de vanguarda franco-suíço que, entre outros pontos, pontuava sua criação pelos vãos livres em suas obras, o que permitiria livre circulação de pessoas quando falamos do piso térreo e da plena abertura de janelas quando falamos de edificações. Assim ele, Lúcio Costa e o estagiário Niemeyer, com outros parceiros (Portinari incluso), constroem, em 1939 a serviço de Getúlio Vargas o prédio do MEC no centro do Rio – considerada a primeira obra de arquitetura moderna no país. E que colocou o Brasil em posição de vanguarda mundial uma vez que muitas nações estava colocando suas cabeças mais brilhantes a serviço da II Guerra Mundial (para um empreendedor, leia-se oportunidade de mercado).

Prédio do MEC e o seu vão com obra de Portinari em azulejos ao fundo.

Mas lembrem-se: Niemeyer é um sujeito idealista. Comunista. E que tinha fascinação por curvas – Rio de Janeiro e mulheres inclusas.

Conhece Juscelino Kubitschek (JK) em 1940 e recebe a incumbência de construir edificações para uma parte da cidade a ser habitada – a Pampulha. Sua obra mais categória, A Igreja marca o pontapé da sua proposta seminal de trabalho, composta por retas e curvas com base no concreto armado. Ou como ele disse décadas depois: “Com a obra da Pampulha o vocabulário plástico da minha arquitetura, num jogo inesperado de retas e curvas, começou a se definir.”

Marco inicial: igreja Pampulha.

Sua proposta choca e destaca-se o suficiente para, em 1947, ter o seu projeto aprovado para a construção do prédio-sede da ONU em Nova Iorque, com o “mestre” Le Corbusier como parceiro. E, dez anos depois, chamado por JK para o ousado plano de uma capital no centro do país, lidera o processo que traz em Lúcio Costa o plano-piloto de Brasília, ao qual Oscar pincela obras como o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada, a Esplanada dos Ministérios e outras edificações. Todas repletas de curvas, retas, vãos livres, plena visualização e acesso público.

Esta foto não é da semana passada; tem a idade da minha mãe (!) Niemeyer verificando as obras de Brasília com o Palácio do Planalto em construção atrás.

PAUSA.

Empreendedor, o que você vê aqui que falamos ao longo do ano?

– Reforço da sua visão de uma arquitetura moderna e inventiva;

– Criação de uma missão, composta por sua arquitetura poética, repleta de curvas, retas e as influências. REPERTÓRIO!

– O escoreamento em tutores, como Lúcio Costa e Le Courbisier, e a posterior suplantação deles. + REPERTÓRIO.

– O início em pequenos passos pouco remunerados (Lean Startup?), mas que valida suas crenças e hipóteses (Customer Development?)

Vamos soltar o play de novo. Não vou me estender muito.

Podemos dizer que após Brasília, sua obra-prima, finalmente temos um Oscar Niemeyer arquiteto-empreendedor de grande porte. Precisa reinventar-se como profissional (Business Model? Canvas?) após seu comunismo custar-lhe a estadia e o trabalho no Brasil, e sai projetando na Europa e África (dois Oceanos Azuis aonde havia somente construções seculares e/ou nada?) – destaque para a Argélia pautada em ideais socialistas em pleno final dos anos 60. Volta ao Brasil na década de 80 consagrado e constrói o MAC de Niterói, os Museus que levam o seu nome na mesma cidade e em Curitiba, o Edifício Administrativo Tancredo Neves em BH, entre outras obras no Brasil e no Exterior.

E trabalhou até horas antes de morrer. Não deitou eternamente em berço esplêndido, foi à luta e foi combativo até o fim – como um bom comunista. Mesmo em seu leito final, não discutia o fim de sua trajetória, mas o início dos projetos que seu escritório estava realizando.

Aos 102 anos, apresentando o projeto de seu museu na Espanha.

No fim resumiria a trajetória de Niemeyer e o porquê dele ser um dos maiores brasileiros de todos os tempos em duas falas que resumem, não por coincidência, muito do que um empreendedor leva como modelo mental:

“A vida humana é muito pequena e muito dura e é preciso não desistir dos ideais, pelas mudanças políticas e sociais necessárias. Por isso, temos ainda um longo tempo de luta pela frente”

“Digo aos recém-formados que não basta estudar na escola. Tem que conhecer a vida, os problemas, a miséria e estar pronto a participar, a compreender a vida

Como brinde, seguem dois vídeos: um resumo do DOC “A vida é um sopro” com muitas das crenças dele, e o comercial que a Braskem fez com seu poema (sim ele era poeta – lembram-se do repertório?) e sua obra – o troféu do GP Brasil de F1 feito em plástico de cana-de-açúcar (tenho uma réplica em casa, o que hoje me deixa orgulhoso rs).

Morre o homem. Fica o legado. Nasce o mito. Boa eternidade a Oscar Niemeyer e boas retas e curvas pra vocês!!!

O que fica é eterno.